domingo, 11 de março de 2012

LBOFF -A Erosão da “Relational Matrix”


"...Estamos desenraizados e mergulhados numa profunda solidão. O oposto à uma visão espiritual do mundo  não é o materialismo ou o ateismo. É o desenraizamento e  o sentimento de que estamos sós no universo e perdidos, coisa que uma visão espiritual do mundo impedia. Esse complexo de questões subjaz à atual crise. Precisamos, para sair dela, reencantar o mundo e perceber a Matriz Relacional (Relational Matrix) em erosão, que nos envolve a todos. ..."

A Erosão da “Relational Matrix”

Leonardo Boff- Teólogo/Filósofo*

Há muitos hoje no mundo inteiro, das mais diferentes procedências, preocupados com a crise atual que engloba um complexo de outras crises. Cada um traz luz. E toda luz é criadora. Mas, de minha parte, vindo da filosofia e da teologia, sinto necessidade de uma reflexão que vá mais fundo, às raizes, de onde lentamente ela se originou e que hoje eclode com toda a sua virulência. À diferença de outras crises anteriores, esta possui uma singularidade: nela está em jogo o futuro da vida e a continuidade de nossa civilização. Nossas práticas estão indo contra o curso evolucionário da Terra. Esta nos criou um lugar amigável para viver mas nós não estamos nos mostrando amigáveis para com ela. Movemos-lhe uma guerra sem trégua em todas as frentes, sem nenhuma chance de vencer. Ela pode continuar sem nós. Nós, no entando, precisamos dela.

Estimo que a origem próxima (não vamos retroceder até o homo faber de dois milhões de anos atrás) se encontra no paradigma da modernidade que fragmentou o real e o transformou num objeto de ciência e num campo de intervenção técnica. Até então a humanidade se entendia normalmente com parte de um cosmos vivente e cheio de propósito, sentindo-se filho e filha da Mãe Terra. Agora ela foi transformada num armazém de recursos. As coisas e os seres humanos estão desconectados entre si, cada qual seguindo um curso próprio. Essa virada produziu uma concepção mecanisista e atomizada da realidade que está erodindo a continuidade de nossas experiências e a integridade de nosso psiqué coletiva.

A secularização de todas as esferas da vida nos tirou o sentimento de pertença a um Todo maior. Estamos desenraizados e mergulhados numa profunda solidão. O oposto à uma visão espiritual do mundo não é o materialismo ou o ateismo. É o desenraizamento e o sentimento de que estamos sós no universo e perdidos, coisa que uma visão espiritual do mundo impedia. Esse complexo de questões subjaz à atual crise. Precisamos, para sair dela, reencantar o mundo e perceber a Matriz Relacional (Relational Matrix) em erosão, que nos envolve a todos. Somos urgidos a comprender o signficado do projeto humano no interior de um universo em evolução/criação. As novas ciências depois de Einstein, de Heisenberg/Bohr, de Prigogine e de Hawking nos mostraram que todas as coisas se encontram interconectadas umas com as outras de tal forma que formam um complexo Todo.

Os átomos e as partículas elementares não são mais consideradas inertes e sem vida. Os microcosmos emergem como um mundo altamente interativo, impossível e ser descrito pela linguagem humana, mas apenas por via da matemática. Forma uma unidade complexa na qual cada partícula é ligada a todas as outras e isso desde os primórdios da aventura cósmica há 13,7 bilhões de anos. Matéria e mente comparecem misteriosamente entrelaçadas, sendo difícil discernir se a mente surge da matéria ou a matéria da mente ou se elas surgem conjuntamente. A própria Terra se mostra viva (Gaia) articulando todos os elementos para garantir as condições ideais para a vida. Nela mais que a competição, funciona a cooperação de todos com todos. Ela mostra um impulso para a complexidade, para a diversidade e para a irrupção da consciência em níveis cada vez mais complexos até a sua expressão atual pelas redes de conexões globais dentro de um processo de mundialização crescente.

Esta cosmovisão nos alimenta a esperança de um outro mundo possível, a partir de um cosmos em evolução que através de nós sente, pensa, cria, ama e busca permanente equilíbrio. As idéias-mestras como interdependência, comunidade de vida, reciprocidade, complementariedade, corresponsabilidade são chaves de leitura e nos alimentam uma nova visão mais harmoniosa das coisas.

Esta cosmologia é que falta hoje. Ela tem o condão de nos fornecer uma visão coerente do universo, da Terra e de nosso lugar no conjunto dos seres, como guardiães e cuidadores de todo o criado. Esta cosmovisão nos impedirá de cair num abismo sem retorno. Nas crises passadas, a Terra sempre se mostrou a nosso favor, nos salvando. E não será diferente agora. Juntos, nós e ela, sinergeticamente poderemos triunfar.

Texto recebido por E Mail do Autor que é Colaborador do Canal de Filosofia do Espaco ECOS Portal VMD http://www.vaniadiniz.pro.br/espaco_ecos/filosofia_virginia/filosofia.htm
Ilustração - http://fc02.deviantart.net/fs41/f/2009/035/1/5/__Gaia__s_Light___by_E09ETM.jpg

terça-feira, 6 de março de 2012

Realce - * virgínia fulber -arte filos Poesia

Realce - * virgínia fulber















sinfonia da alvorada madrigal

rege a dança da melenas do grande mar
realce polifônico constrói “legenda matinal”...
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Foram os filósofos gregos que criaram a teoria mais elaborada para a linguagem musical na Antiguidade. Pitágoras acreditava que a música e a matemática formavam a chave para os segredos do mundo, que o universo cantava, justificando a importância da música na dança, na tragédia e nos cultos gregos.
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A música renascentista data do século XIV, período em que os artistas pretendiam compor uma música mais universal, buscando se distanciarem das práticas da igreja. Havia um encantamento pela sonoridade polifônica, pela possibilidade de variação melódica. A polifonia valorizava a técnica que era desenvolvida e aperfeiçoada, característica do Renascimento. Neste período, surgem as seguintes músicas vocais profanas: a “frótola”, o “Lied” alemão, o Villancico”, e o “Madrigal” italiano. O “Madrigal” é uma forma de composição que possui uma música para cada frase do texto, usando o contraponto e a imitação.

Os compositores escreviam madrigais em sua própria língua, em vez de usar o latim. O madrigal é para ser cantado por duas, três ou quatro pessoas. Um dos maiores compositores de madrigal elisabetano foi Thomas Weelkes.

Após a música renascentista, no século XVII, surgiu a “Música Barroca” e teve seu esplendor por todo o século XVIII. Era uma música de conteúdo dramático e muito elaborado. Neste período estava surgindo a ópera musical. Na França os principais compositores de ópera eram Lully, que trabalhava para Luis XIV, e Rameau. Na Itália, o compositor “Antonio Vivaldi” chega ao auge com suas obras barrocas, e na Inglaterra, “Haëndel” compõe vários gêneros de música, se dedicando ainda aos “oratórios” com brilhantismo. Na Alemanha, “Johann Sebastian Bach” torna-se o maior representante da música barroca.

A “Música Clássica” é o estilo posterior ao Barroco. O termo “clássico” deriva do latim “classicus”, que significa cidadão da mais alta classe. Este período da música é marcado pelas composições de Haydn, Mozart e Beethoven (em suas composições iniciais). Neste momento surgem diversas novidades, como a orquestra que toma forma e começa a ser valorizada. As composições para instrumentos, pela primeira vez na história da música, passam a ser mais importantes que as compostas para canto, surgindo a “música para piano”. A “Sonata”, que vem do verbo sonare (soar) é uma obra em diversos movimentos para um ou dois instrumentos. A “Sinfonia” significa soar em conjunto, uma espécie de sonata para orquestra. A sinfonia clássica é dividida em movimentos. Os músicos que aperfeiçoaram e enriqueceram a sinfonia clássica foram Haydn e Mozart. O “Concerto” é outra forma de composição surgida no período clássico, ele apresenta uma espécie de luta entre o solo instrumental e a orquestra. No período Clássico da música, os maiores compositores de Óperas foram Gluck e Mozart.

Enquanto os compositores clássicos buscavam um equilíbrio entre a estrutura formal e a expressividade, os compositores do “Romantismo” pretendem maior liberdade da estrutura da forma e de concepção musical, valorizando a intensidade e o vigor da emoção, revelando os pensamentos e sentimentos mais profundos. É neste período que a emoção humana é demonstrada de forma extrema. O Romantismo inicia pela figura de Beethoven e passa por compositores como Chopin, Schumann, Wagner, Verdi, Tchaikovsky, R. Strauss, entre outros. O romantismo rendeu frutos na música, como o “Nacionalismo” musical, estilo pelo qual os compositores buscavam expressar de diversas maneiras os sentimentos de seu povo, estudando a cultura popular de seu país e aproveitando música folclórica em suas composições. A valsa do estilo vienense de Johann Strauss é um típico exemplo da música nacionalista.

O século XX é marcado por uma série de novas tendências e técnicas musicais, no entanto torna-se imprudente rotular criações que ainda encontra-se em curso. Porém algumas tendências e técnicas importantes já se estabeleceram no decorrer do século XX. São elas: Impressionismo, Nacionalismo do século XX, Influências jazzísticas, Politonalidade, Atonalidade, Expressionismo, Pontilhismo, Serialismo, Neoclassicismo, Microtonalidade, Música concreta, Música eletrônica, Serialismo total, e Música Aleatória. Isto sem contar na especificidade de cada cultura. Há também os músicos que criaram um estilo característico e pessoal, não se inserindo em classificações ou rótulos, restando-lhes apenas o adicional “tradicionalista”. Professor Lindomar-Fontes-BENNETT, Roy. Uma breve história da música.Rio de Janeiro: Zahar, 1986.-COLL, César, TEBEROSKY, Ana. Aprendendo Arte. São Paulo: Ática, 2000.
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Et- Realce Poemeto * 06 março 012 * Para Ciranda LEGENDA MATINAL Orlando Caetano e amigos poetas SERÁ PUBLICADA NO Site Saia do Tom

abraços, virgínia fulber - vicamf RS BR











sábado, 3 de março de 2012

Leonardo Boff-Do ilusório gene egoísta ao caráter cooperativo do genoma humano

Do ilusório gene egoísta ao caráter cooperativo do genoma humano
     Leonardo Boff
            Teólogo/Filósofo



Tempos de crise sistêmica como os nossos favorecem uma revisão de conceitos e a coragem para projetar outros mundos possíveis que realizem o que Paulo Freire chamava de o “inédito viável”.

É notório que o sistema capitalista imperante no mundo é consumista, visceralmente egoísta e depredador da natureza. Está levando toda a humanidade a um impasse pois criou uma dupla injustiça: a ecológica por ter devastado a natureza e outra social por ter gerado imensa desigualdade social. Simplificando, mas nem tanto, poderíamos dizer que a humanidade se divide entre aquelas minorias que comem à tripa forra e aquelas maiorias que se alimentam insuficientemente. Se agora quiséssemos universalizar o tipo de consumo dos países ricos para toda a humanidade, necessitaríamos, pelo menos, de três Terras, iguais a atual.

Este sistema pretendeu encontrar sua base científica na pesquisa do zoólogo britânico Richard Dawkins que há trinta e seis anos escreveu seu famoso O gene egoísta (1976). A nova biologia genética mostrou, entretanto, que esse gene egoísta é ilusório, pois os genes não existem isolados, mas constituem um sistema de interdependências, formando o genoma humano que obedece a três princípios básicos da biologia: a cooperação, a comunicação e a criatividade. Portanto, o contrário do gene egoísta. Isso o demonstraram nomes notáveis da nova biologia como a prêmio Nobel Barbara McClintock, J. Bauer, C. Woese e outros. Bauer denunciou que a teoria do gene egoísta de Dawkins “não se funda em nenhum dado empírico”. Pior, “serviu de correlato biopsicológico para legitimar a ordem econômica anglo-norteamericana” individualista e imperial (Das kooperative Gen, 2008, p.153) .

Disto se deriva que se quisermos atingir um modo de vida sustentável e justo para todos os povos, aqueles que consomem muito devem reduzir drasticamente seus níveis de consumo. Isso não se alcançará sem forte cooperação, solidariedade e uma clara autolimitação.

Detenhamo-nos nesta última, a autolimitação, pois é uma das mais difíceis de ser alcançada devido à predominância do consumismo, difundido em todas classes sociais. A autolimitação implica numa renúncia necessária para poupar a Mãe Terra, para tutelar os interesses coletivos e para promover uma cultura da simplicidade voluntária. Não se trata de não consumir, mas de consumir de forma sóbria, solidária e responsável face aos nossos semelhantes, à toda a comunidade de vida e às gerações futuras que devem também consumir.

A limitação é, ademais, um princípio cosmológico e ecológico. O universo se desenvolve a partir de duas forças que sempre se auto-limitam: as forças de expansão e as forças de contração. Sem esse limite interno, a criatividade cessaria e seríamos esmagados pela contração. Na natureza funciona o mesmo princípio. As bactérias, por exemplo, se não se limitassem entre si e se uma delas perdesse os limites, em bem pouco tempo, ocuparia todo o planeta, desequilibrando a biosfera. Os ecossistemas garantem sua sustentabilidade pela limitação dos seres entre si, permitindo que todos possam coexistir.

Ora, para sairmos da atual crise precisamos mais que tudo reforçar a cooperação de todos com todos, a comunicação entre todas as culturas e grande criatividade para delinearmos um novo paradigma de civilização. Há que darmos um adeus definitivo ao individualismo que inflacionou o “ego” em detrimento do “nós” que inclui não apenas os seres humanos mas toda a comunidade de vida, a Terra e o próprio universo.

Leonardo Boff é autor de Preservar a Terra-cuidar da Vida. Como evitar o fim do mundo, Record, RJ 2011 & COLABORADOR DO CANAL DE FILOSOFIA ESPAÇO ECOS PORTAL VMD



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

'Proteção à mata é adiada como foi a abolição'

JC e-mail 4445, de 29 de Fevereiro de 2012.

8. 'Proteção à mata é adiada como foi a abolição'

Atraso em tomar decisões custou a desigualdade que o País enfrenta até hoje, afirma pesquisador.

Acostumado a fazer a análise econômica de questões ligadas à preservação ambiental, o economista Carlos Eduardo Young, da UFRJ, não pensa duas vezes para dizer que, se o País não investir agora em formas de aumentar a proteção e a recuperação de vegetação natural, os custos para reverter os danos no futuro serão altos demais.

Ele se refere aos impactos que a mudança no Código Florestal pode trazer ao flexibilizar a proteção à Reserva Legal e às Áreas de Proteção Permanente e diminuir a obrigação de restauração do que foi desmatado ilegalmente. Para ele, a alternativa apontada no texto que saiu do Senado para a Câmara, de criar incentivos financeiros para ajudar na preservação, como o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), pode ser um desperdício de uma boa ideia. Ele explica as razões na entrevista a seguir, publicada no jornal O Estado de São Paulo.

Por que a inclusão do PSA seria uma boa ideia e por que foi um desperdício a forma como foi colocada?

É uma boa ideia porque é uma forma bastante moderna e inteligente de colocar uma solução econômica para um problema que é de origem econômica. A restrição que existe ao Código Florestal atual não é porque os proprietários rurais são do mal ou porque os ambientalistas são doidos. É um problema que a gente chama em economia de custos de oportunidades da terra: o que se poderia fazer se a mata não fosse preservada. A conta que os caras fazem é: quanta soja, quanto boi eu poderia ter. O argumento da bancada ruralista é que não temos condição de bancar isso. É interessante a idéia de que, se existe um serviço, é possível receber por seu préstimo, mas a ideia que tem se passado é que eles só têm a receber. Só que um dos maiores beneficiários da conservação é o próprio setor agrícola. Principalmente sob o aspecto dos recursos hídricos. É um setor muito sensível ao problema da escassez. O grande barato seria ter o próprio setor agrícola pagando a si mesmo. Mas eles querem que o resto da sociedade pague. Só que já existem vários mecanismos de proteção econômica ao setor, sendo o mais importante deles o crédito agrícola. Quando se fala em pagamento por serviço ambiental, todo mundo é a favor. Só que isso pressupõe que alguém pague. Mas se ninguém pagar, ninguém vai receber.
 
Por que é preciso pagar?

Vamos pegar o exemplo da conta de luz. Uma parcela significativa das favelas no Rio de Janeiro não paga a conta. Isso é rebatido na de quem paga, para arcar com isso. A ideia dos pagamentos por serviços ambientais é a mesma coisa. Vai chegar um momento em que a crise do serviço ambiental pode chegar a tal volume que terão de encontrar uma solução. A forma mais eficiente de fazer isso é induzindo a conservação florestal em áreas onde o custo da terra seja mais barato e concentrando a atividade agrícola onde ela é mais produtiva, desde que a qualidade ambiental entre elas seja equivalente. Áreas de baixo custo não são de baixo interesse. Basicamente são as APPs, com declividade, áreas de pântano. Não tem muito o que fazer ali, mas tem potencial do ponto de vista ecológico. Só que é preciso ter incentivos para proteger essas áreas. O que não dá é para querer garantir ao mesmo tempo ocupação nas áreas de alta e de baixa produtividade.

Há dinheiro para bancar isso?

O equívoco é supor que o Estado vai bancar, quando o Estado é a sociedade, que já tem uma carga fiscal muito alta. O problema é que estamos numa situação de aquecimento global e de mudanças climáticas que podem trazer uma série de transtornos. Isso vai causar problema à própria atividade agrícola.

Mas, ao pôr esse mecanismo no Código Florestal, dando incentivo para o produtor manter Reserva Legal e APP, não é o mesmo que pagar para ele cumprir a lei?

Sim, mas não existem incentivos fiscais para uma série de setores simplesmente cumprirem a lei? Eu não vou entrar na questão do mérito da ética porque cumprir a lei é um argumento temporário - porque a lei muda. É exatamente o que estão fazendo agora: mudando a lei. O que é importante é que existe um problema concreto: qual é a maneira mais rápida de resolver o problema? O que acontece é que não se tem cumprido a lei a um custo alto para a sociedade. Pior é usar dinheiro de imposto pago pela população para financiar com crédito rural produtor que desmata ilegalmente.

É a comprovação de que só a fiscalização não tem dado certo?

Outro erro é achar que o PSA poderia substituir os mecanismos de comando e controle. Pelo contrário. O sistema só funcionará se existir um órgão de controle de gestão florestal eficiente que seja capaz de fazer cumprir a regra. Porque um sistema de PSA pressupõe que alguém vai pagar pelo serviço. Vai pagar quem está em déficit. E esse deficitário só vai pagar se for forçado. É o problema do mercado de carbono. A razão de sua existência é a obrigação imposta por um Estado de se cumprir uma meta. Mas se quem não cumpre não for penalizado, não funciona. O problema é que se o código excessivamente permitir flexibilizações e descaracterizar o poder de controle, por que alguém vai querer comprar?

Qual o impacto para o futuro?

Em termos de longo prazo temos de pensar em dois cenários possíveis. Ou os ruralistas estão certos e há um exagero por parte dos ambientalistas nos problemas que podem ser causados por causa do desmatamento - se for assim, eu e os demais vamos ficar condenados pela história por estarmos errados. Mas, se os serviços ambientais são de fato relevantes e a escassez desses serviços num mundo de mudança climática vai deixar tudo mais problemático, isso em alguma hora vai explodir. E, ao acontecer, será necessário tomar medidas mais drásticas. A premissa é a de que existe uma crise que vai se agravar no futuro.

Já há cálculos assim para o desmatamento?

Estudos feitos no Pará e em Mato Grosso pelo meu grupo mostram que em grandes áreas onde houve desmatamento para a expansão da pecuária e da soja, o custo social causado pelo desmatamento - medido apenas pelo carbono emitido com a queima da floresta - supera os ganhos que os agricultores tiveram com a expansão da fronteira agrícola. Mas como esses custos não foram internalizados, ou seja, os proprietários rurais não pagaram essa conta, deixando a pendura para todo o planeta, argumentam que foi um negócio lucrativo. Claro, para eles, privadamente, mas não para a sociedade. Esse problema é muito mais acentuado na expansão da pecuária extensiva, com baixíssima produtividade, em termos de animal por hectare queimado, mas que é responsável pela grande maioria dos desmatamentos. A soja é muito mais produtiva e por isso gera mais valor por hectare ocupado - seu principal efeito é indireto: ao elevar o preço da terra, induzem a venda ou arrendamento de pastagens, e os rebanhos se movem para novas pastagens, ou seja, áreas de floresta recém-queimadas.

Mas então você acha que não vai acontecer?

Em algum momento isso terá de acontecer, mas o problema é o setor rural querer manter um status de ocupação como se o mundo não tivesse mudado. É o mesmo argumento que eles tinham contra a abolição - que ia quebrar a agricultura. As primeiras propostas de abolição incluíam na discussão que os proprietários deveriam ser compensados. A Lei do Ventre Livre previa indenização ao dono. Estão protelando a questão ambiental como protelaram a escravidão. Mas tiveram de abolir, só que com 50 anos de atraso. E isso custou a desigualdade que o País enfrenta até hoje.
(O Estado de São Paulo)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Concursos Literários: Resultado - 8º Concurso Expresso das Letras

in de finitivo amar -  virgínia fulber


quando enamorados

no olhar cabe
universo de ternura

quando afeto acaba
de um lado
picos nevados
de outro, talvez asas


amor, maiúsculo
ou paixões
que escoam pelos dedos
vão-se com andorinhas
inaugurar verões
efêmeras amoras
flores de estação

é certo que do amor
pouco se sabe

quer-se bem querer
para bem ser
também estar
entre outros braços
para o vazio
de existir abrandar
seria amar?


o amor é egoísta ou
pressupõe desprendimento
aceitação irrestrita
sem preconceitos de berço
reza, cor, situação?

dos gregos herdamos
conceitos e de amor
entre eles ágape
que não nos cabe
dos enamorados eros
afrodite...

escolho a mim
para a ti acolher
em liberdade

que eleutéria(1) nos guie
que da amizade
do respeito a singularidade
ao amar quiçá...

Concursos Literários: Resultado - 8º Concurso Expresso das Letras:
CONVITE


Convidamos para receber a premiação do “Concurso Literário Expresso das Letras” a realizar-se às 19:30h do dia 02 de março de 2011, sexta-feira, no Solar dos Câmara, rua Rua Duque de Caxias, n° 968, no Centro Histórico de Porto Alegre. O Concurso foi idealizado por Benedito Saldanha em 2004 e é entregue anualmente aos autores das poesias premiadas.


Desde já aguardamos sua ilustre presença.
Porto Alegre, 24 de fevereiro de 2012
Benedito Saldanha Escritor e Ativista Cultural
Presidente da ALAPOA                            


1º Lugar:Primeiro Amor - Marina Martinez - 2º Lugar: Ressaca - Tatiana Alves Soares Caldas- 3º Lugar: Para Ti! - Veridiane da Rosa Gomes

Menções Honrosas:
Pão e Vinho - Ana Felicia Guedes Trindade
Confeitaria - Cris Dakinis
Sem Título - Denivaldo Piaia
Tempo,Vento e Amor – Francisca Messa
Policromia - Helena Rotta de Camargo
Presença - Iliane dos Santos Iglesias
Uma nova cor a um novo velho Amor - Julhana Pohlmann
Sentimento Sublime - Juliano Paz Dornelles
Eu - Karin Kreismann Carteri
Meu Arquivo Confidencial - Katia Chiappini
Ao Natural...- Letticia Cecy Correia
Palavras - Lúcia Barcelos
Quando o amor transforma - Marcelo Allgayer Canto
Essência - Rosalva Rocha
Sangrou - Rosangela Mariano
Aroma de Saudade - Sheila Felipe Farias
Amou de Doer - Sônia Machado
Angelical Espera - Teresinha de Lourdes da Costa
Meu Medo - Thábata Floriano Barbosa
In De Finitivo Amar - Virgínia Fulber
Ais - Zaira Maria Rodrigues
Mensagem dos organizadores:
Prezados (as)

Um pouco com atraso, mas estamos informando abaixo a relação das poesias vencedoras do Concurso Literário promovido pela Academia de Letras e Artes de Porto Alegre, sendo um dos mais tradicionais da capital. As poesias premiadas serão divulgadas no Jornal “Voz do Escritor” de março e farão parte de CD a ser ainda definido a sua gravação e edição através da busca de recursos.

As poesias premiadas receberão troféus e medalhas em cerimônia a ser realizada no inicio de março e aberta somente aos autores premiados e seus convidados.

Por fim, agradecemos a todos aqueles que participaram do concurso que atingiu o recorde de poesias inscritas (mais de 150, vindas de todo o país) e que vem sendo realizado há oito anos consecutivos, o que demonstra o nosso esforço e nossa dedicação em prol da literatura. Parabéns a todos que concorreram, pois ajudaram a FOMENTAR A LITERATURA E INCENTIVAR A POESIA, numa sociedade capitalista que precisa cada vez mais reaprender a ouvir os novos poetas e o que eles têm para dizer.

Forte abraço.
Benedito Saldanha
Escritor e Organizador do Concurso

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(1) eleutería  termo grego equivalente a  liberdade, para este conceito no senso comum os gregos não possuíam uma palavra específica. Portanto Eleutería, indicava pertencer ao grupo social e ausência de submissão a outrem. [*] Livres eram os homens da polis que não eram escravos e partilhavam o poder, deliberando sobre os assuntos públicos. Eleutería não era ligada à vontade. Os homens eléuteros (livres) não eram identificados como tais por agirem segundo atos voluntários, mas sim porque ocupavam um certo status, um certo lugar na comunidade que os definia como tais. Seriam esperados os mesmos atos de qualquer um que tivesse determinado status: o eléuteros não podia escolher entre dirigir os cultos aos deuses privados e não dirigir; entre dar as ordens em seu oikos (lar- diferente de casa que é o espaço físico) e não dar; entre tomar parte nas deliberações públicas e não tomar. Era função dele fazer tudo isto, ele não fazia devido à sua vontade, da mesma forma que as mulheres e os menores tinham a submissão determinada pelo seu status. Evidência forte de que os gregos não concebiam que alguém fugisse do que lhe era determinado se encontra nas tragédias gregas, em que o herói luta obstinadamente contra seu destino, mas suas tentativas são fadadas ao fracasso: o destino se impõe inexoravelmente. Liberdade era igual à necessidade

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Folias modernas

Mudou o carnaval ou mudei eu?

Folias modernas

Vésperas de Carnaval. Passo pelas ruas de meu bairro na manhã do sábado dos primeiros blocos, uma semana antes da data estabelecida para o Carnaval. Vejo transeuntes “fantasiados”: dois chifrinhos de diabo, duas orelhinhas de Mickey Mouse na cabeça, uma fita dourada passada pela testa, lata indefectível de algum líquido na mão, um exército de vendedores de água mineral – produto na última moda de uns anos para cá - ou talvez de cerveja camuflada depois dos choques de ordem do prefeito, não sei. Só sei que homens e mulheres suam muito até chegar aos pontos de distribuição, paga e bem paga, é claro, e ganhar seu pão incrementado da época, enquanto os menos necessitados se divertem.
O tranzetê da praia para casa ou de casa para a praia não pára. Gente de todas as tonalidades e línguas se mesclam umas com as outras, quase se trombam.
- What is this? – pergunta o americano recém-chegado, espantado com a cor e a consistência do assaí do meu bar predileto, sorvido com delícia pela nova juventude ecológica. .
- It is very good, afirma o tradutor, em pronúncia péssima por sinal.
Meio atordoada, dirijo-me ao balconista simpático e bem vestido. Aliás, até o boteco passou a usar trajes de gala, por determinação do tal choque de ordem do prefeito – Leblon só pode ter comércio chique, viu, gente?
Peço um belo suco e converso com o moço, conhecido de outros carnavais.
- Você já comprou seus chifrinhos ou suas orelhinhas ou sua gravatinha dourada para se fantasiar daqui a pouco? Eu encomendei os meus, mas ainda não os trouxeram. Você sabe, coroa tem que caprichar, né mesmo? É mesmo. Fantasia da Zona Sul do Rio de Janeiro é isso aí.
Penso no tipo de folia de hoje, tão distinta das muitas que vivi, mesmo depois de casada e mãe de família. Em que baú ficaram as fantasias coloridas completas ou improvisadas com bastante arte? Onde se esconderam os homens-homens vestidos de mulher, com trajes emprestados pelas irmãs ou pela mãe, tamanco de português nos pés? Em que parte da cidade vou encontrar os tambores, pandeiros e tamborins mal batidos dos foliões sem nenhum jeito para o samba, mas com muito orgulho e devoção? Em que lugar recôndito ficou minha gente que se reunia no Clube do Samba, de João Nogueira, lá na Avenida Rio Branco, ao primeiro apito para cair na farra? E as serpentinas e os confetes inevitavelmente sujos de água da chuva, formando um lixo que dava gosto de ver? E a lança-perfume rodo metálico ou de vidro mesmo que eu adorava usar em criança como perfume francês de belas damas e cheirar bem de leve, pois ir fundo meus pais não deixavam porque a gente desmaiava e ia para o hospital? E as marchinhas debochadas com delicadeza, decoradas com meses de antecedência, para não darmos bobeira na hora? E o samba dos blocos mais selecionados porque mais família, igualmente aprendidos com a antecedência de hinos de procissão da igreja católica: Queremos Deus, homens ingratos... Ave, Ave Ave-Maria... e tantos outros que entoávamos pelas ruas de Niterói nos dias santos, e mesmo depois, no Rio, sem nenhum pudor de mostrar nosso credo a quantos nos viam passar? Sem perceber o preconceito, entoávamos convictos, sorridentes: Olha a cabeleira do Zezé/ Será que ele é..., fazíamos crítica aos governos: Maria Candelária é alta funcionária/... começa ao meio-dia, coitada da Maria, trabalha, trabalha, trabalha de fazer dóóóóó... Ou, até mesmo, deixávamos fluir o romantismo meloso: Todos eles estão errados, a lua é dos namorados, à época da posse da lua pelo homem.
Mudou o Carnaval ou mudei eu? O negócio é que, como tudo mais do mundo moderno, as transformações são rápidas e profundas. Antes, era o Nosso Carnaval bem brasileiro; hoje é o de toda a gente que não resiste a uma propaganda bem feita. De dentro do país, de outros estados, ou de fora. Sobretudo, depois da Era Lula que colocou o Brasil nas alturas. Com alguma razão, reconheço.
Ainda não cheguei ao ponto de cantar como em cântico fúnebre: Agora é cinza/ tudo acabado e nada mais. Sou otimista, sempre.

Maria Lindgren

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Folias modernas-Maria Lindgren



Vésperas de Carnaval. Passo pelas ruas de meu bairro na manhã do sábado dos primeiros blocos, uma semana antes da data estabelecida para o Carnaval. Vejo transeuntes “fantasiados”: dois chifrinhos de diabo, duas orelhinhas de Mickey Mouse na cabeça, uma fita dourada passada pela testa, lata indefectível de algum líquido na mão, um exército de vendedores de água mineral – produto na última moda de uns anos para cá - ou talvez de cerveja camuflada depois dos choques de ordem do prefeito, não sei. Só sei que homens e mulheres suam muito até chegar aos pontos de distribuição, paga e bem paga, é claro, e ganhar seu pão incrementado da época, enquanto os menos necessitados se divertem.

O tranzetê da praia para casa ou de casa para a praia não pára. Gente de todas as tonalidades e línguas se mesclam umas com as outras, quase se trombam.

- What is this? – pergunta o americano recém-chegado, espantado com a cor e a consistência do assaí do meu bar predileto, sorvido com delícia pela nova juventude ecológica. 

- It is very good, afirma o tradutor, em pronúncia péssima por sinal.

Meio atordoada, dirijo-me ao balconista simpático e bem vestido. Aliás, até o boteco passou a usar trajes de gala, por determinação do tal choque de ordem do prefeito – Leblon só pode ter comércio chique, viu, gente?

Peço um belo suco e converso com o moço, conhecido de outros carnavais.

- Você já comprou seus chifrinhos ou suas orelhinhas ou sua gravatinha dourada para se fantasiar daqui a pouco? Eu encomendei os meus, mas ainda não os trouxeram. Você sabe, coroa tem que caprichar, né mesmo? É mesmo. Fantasia da Zona Sul do Rio de Janeiro é isso aí.

Penso no tipo de folia de hoje, tão distinta das muitas que vivi, mesmo depois de casada e mãe de família. Em que baú ficaram as fantasias coloridas completas ou improvisadas com bastante arte? Onde se esconderam os homens-homens vestidos de mulher, com trajes emprestados pelas irmãs ou pela mãe, tamanco de português nos pés? Em que parte da cidade vou encontrar os tambores, pandeiros e tamborins mal batidos dos foliões sem nenhum jeito para o samba, mas com muito orgulho e devoção? Em que lugar recôndito ficou minha gente que se reunia no Clube do Samba, de João Nogueira, lá na Avenida Rio Branco, ao primeiro apito para cair na farra? E as serpentinas e os confetes inevitavelmente sujos de água da chuva, formando um lixo que dava gosto de ver? E a lança-perfume rodo metálico ou de vidro mesmo que eu adorava usar em criança como perfume francês de belas damas e cheirar bem de leve, pois ir fundo meus pais não deixavam porque a gente desmaiava e ia para o hospital? E as marchinhas debochadas com delicadeza, decoradas com meses de antecedência, para não darmos bobeira na hora? E o samba dos blocos mais selecionados porque mais família, igualmente aprendidos com a antecedência de hinos de procissão da igreja católica: Queremos Deus, homens ingratos... Ave, Ave Ave-Maria... e tantos outros que entoávamos pelas ruas de Niterói nos dias santos, e mesmo depois, no Rio, sem nenhum pudor de mostrar nosso credo a quantos nos viam passar? Sem perceber o preconceito, entoávamos convictos, sorridentes: Olha a cabeleira do Zezé/ Será que ele é..., fazíamos crítica aos governos: Maria Candelária é alta funcionária/... começa ao meio-dia, coitada da Maria, trabalha, trabalha, trabalha de fazer dóóóóó... Ou, até mesmo, deixávamos fluir o romantismo meloso: Todos eles estão errados, a lua é dos namorados, à época da posse da lua pelo homem.

Mudou o Carnaval ou mudei eu? O negócio é que, como tudo mais do mundo moderno, as transformações são rápidas e profundas. Antes, era o Nosso Carnaval bem brasileiro; hoje é o de toda a gente que não resiste a uma propaganda bem feita. De dentro do país, de outros estados, ou de fora. Sobretudo, depois da Era Lula que colocou o Brasil nas alturas. Com alguma razão, reconheço.

Ainda não cheguei ao ponto de cantar como em cântico fúnebre: Agora é cinza/ tudo acabado e nada mais. Sou otimista, sempre.
            Maria Lindgren- contato m-lindgren@uol.com.br
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Tx. recebido por @ através do Grupo VMD,  da autora, espero que aprecie a Ilustração - do artista  Cândido Portinari-Carnaval-1960

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

AssociaçãoInternacionalPoetasdelMundo: 03.12 - DIVULGANDO POETAS DEL MUNDO

AssociaçãoInternacionalPoetasdelMundo: 03.12 - DIVULGANDO POETAS DEL MUNDO:


Virgínia F Momberger Agradeço a Emabixadora dos Poetas del Mundo Delasnieve Daspet, pela consideração em plublicar nesta edição meu Poema in de finitivo amar
E na Edição anterior meu TX. Convergências entre Fábulas, Obras Ficcionais e a Atitude Filosófica . Honrada abraço minha nobre Poeta e mestra amiga de mais de 15 anos de convivência na Rede Delasnieve Daspet.

Desejando parabenizar também todos Poetas Del Mundo por sua contuda reta, elegância, coragem e TALENTO. abraço afetuoso e grata, vossa virgínia fulber * além mar poetinha DEL MUNDO desde 2006- ( Virgínia f. Momberger ) no face...


afetuoso abraço, virgínia fulber Quando um coração se abre , lê textos sagrados em toda parte, em livros, nas nuvens que passam no céu, nas pedras que restam na terra . Rev. Shaku Shogyo- Gustavo C. Pinto XI Conf. Bienal da Ass. Inter. de Est. de Buddhismo Shin. Berkelev EUA agost 03 .

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Guardas Chuva ?

Guardas Chuva ?



                  virgínia fulber * além mar poetinha




Guardanapos transformados
Em bloco de notas, chapéu, baquinho
Origames e bilhetinho sedutor


O Guarda chuva transportava
lágrimas de despedida
de uma tarde fria...


Gotas tantas transformaram-se
em riacho que levou, barquinho,
notas, chapéu, origames; pato,
flor e desmanchou bilhetinho de amor...


Guardou-se tanto que o guarda
da guarita pediu passaporte
Bagagem pesada; alerta dobrado!


Coração rasgado virou do avesso
como velho guarda chuva ao vendaval
Se guardas chuvas perdes arco íris, versos e mel!

Publicado no Recanto das Letras -

fonte -Iustração -

sábado, 21 de janeiro de 2012

A reivenção do capital/dinheiro - Leonardo Boff-Teólogo/Filósofo



Atualmente grande parte da economia é regida pelo capital financeiro, quer dizer, por aqueles papéis e derivativos que circulam no mercado de capitais e que são negociados nas bolsas do mundo inteiro. Trata-se de um capital virtual que não está no processo produtivo, este que gera aquilo que pode ser consumido. No financeiro, reina a especulação, dinheiro fazendo dinheiro, sem passar pela produção. Vigora um perverso descompasso entre o capital real e o financeiro. Ninguém sabe exatamente as cifras, mas calcula-se que o capital financeiro soma cerca de 600 trilhões de dólares enquanto o capital produtivo, do conjunto de todos os paises, alcança cerca 580 trilhões. Logicamente, chega o momento em que, invertendo a frase de Marx do Manifesto, “tudo o que não é sólido se desmancha no ar”.

Foi o que ocorreu em 2007/2008 com o estouro da bolha financeira ligada aos imóveis nos EUA que representava um tal volume de dívidas que nenhum capital real, via sistema bancário, podia saldar. Havia o risco da quebra em cadeia de todo o sistema econômico real. Se não tivesse havido o socorro aos bancos, feito pelos Estados, injetando capital real dos contribuintes, assistiríamos a uma derrocada generalizada.

Esta crise não foi superada e possivelmente não o será enquanto prevalecer o dogma econômico, crido religiosamente pela maioria dos economistas e pelo sistema com um todo, segundo o qual as crises econômicas se resolvem por mecanismos econômicos. A heresia desta crença reside na visão reducionista de que a economia é tudo, pode tudo e que dela depende o bem-estar de um pais e de um povo. Ocorre que os valores que sustentam uma vida humana com sentido não passa pela economia. Ela garante apenas a sua infra-estrutura. Os valores resultam de outras fontes e dimensões. Se assim não fosse, a felicidade e o amor estariam à venda nos bancos.

Este é o transfundo do livro de alta divulgação Reinventando o capital/dinheiro de Rose Marie Muraro (Idéias e Letras 2012). Rose é uma conhecida escritora com mais de 35 livros publicados e uma diligente editora com cerca de 1600 títulos lançados. Num intenso diálogo, juntos trabalhamos, por mais de vinte anos, na Editora Vozes. Dois temas ocupam sempre sua agenda: a questão feminina e a questão da cultura tecnológica. Foi ela quem inaugurou oficialmente o discurso feminino no Brasil escrevendo livro com um método inovador: A sexualidade da mulher brasileira (Vozes 1993). Com um olhar perspicaz denunciou o poder destruidor e até suicida da tecno-ciência, especialmente, em seu livro: Querendo ser Deus? Os avanços tecnológicos e o futuro da humanidade (Vozes 2009).

Neste livro Reinventando o capital/dinheiro faz um histórico do dinheiro desde a mais remota antiguidade, seguindo um esquema esclarecedor: o ganha/ganha, o ganha/perde, o perde/perde e a necessária volta ao ganha/ganha se quisermos salvar nossa civilização, ameaçada pela ganância capitalística.

Na Pré-História predominava o ganha/ganha. Vigorava o escambo, isto é, a troca de produtos. Reinava grande solidariedade entre todos. No Período Agrário entrou o dinheiro/moeda. Os donos de terras produziam mais, vendiam o excedente. O dinheiro ganho era emprestado a juros. Com os juros entrou o ganha/perde. Foi uma bacilo que contaminou todas as transações econômicas posteriores. No Período Industrial esta lógica se radicalizou pois o capital assumiu a hegemonia e estabeleceu os preços e os níveis de juros compostos.

Como o capital está em poucas mãos, cresceu o perde/ganha. Para que alguns poucos ganhem, muitos devem perder. Com a globalização, o capital ocupou todos os espaços. No afã de acumular mais ainda, está devastando a natureza. Agora vigora o perde/perde, pois tanto o dono do capital como a natureza saem prejudicados. No Período da Informação criou-se a chance de um ganha/ganha, pois a natureza da informação especialmente da Internet é possibilitar que todos se relacionem com todos.

Mas devido ao controle do capital, o ganha/ganha não consegue se impor. Mas sua força interna irá inaugurar uma nova era, quem sabe, até com uma moeda universal, sugerida pelo economista brasileiro Geraldo Ferreira de Araujo Filho, cujo valor não incluirá apenas a economia mas valores como a educação, a igualdade social e de gênero e o respeito à natureza e outros. Rose aposta nesta lógica do ganha/ganha, a única que poderá salvar a natureza e nossa civilização.

O livro de Rose Marie Muraro pode ser adquirido por 0800 160004.
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Ilustração - virgínia fulber -

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Jardim Botânico de Porto Alegre 21 -01-012- Grande Escuta da Mãe Terra- - VOZES-


Grande Escuta da Mãe Terra-21 de janeiro- VOZES- Jardim Botânico de Porto  Alegre ://transnet.ning.com/profiles/blog/show?id=2018942%3ABlogPost%3A129078


FSTemático 2012-II Tecendo Redes de Saberes e Cooperação no Jardim Botânico de Porto Alegre - RETRAN transnet.ning.com


II Tecendo Redes de Saberes e Cooperação Data: 27 e 28 de Janeiro de 2012 Hora: 9h às 17h Local: Jardim Botânico de Porto Alegre – Fundação Zoobotânica RS


CLIQUE NO LINK PARA VER A PROGRAMAÇÃO http://transnet.ning.com/profiles/blogs/fstematico-2012-ii-tecendo-redes-de-saberes-e-cooperacao-no-jardi