sábado, 8 de agosto de 2009

Instantes, entre palavras e silêncios


* virgínia além mar
...Talvez como em nenhuma outra época, será necessário que invoquemos e exerçamos as potências do pensamento - a arte, a filosofia, a ciência - para que possamos, como queria o filósofo Friedrich Nietzsche, ser uma ponte entre o primata e o além-do-homem. –Luiz A. Oliveira

A verdadeira amizade é a energia que potencializa a vitalidade dos que persistem e realizam seus sonhos, como disse o filósofo Aristóteles - o homem feliz precisa de amigos- acrescento, precisa de amigos que estejam dispostos ao dialogo e se fazem presentes.

Quando em terra estou mar, quando em águas aprofundo-me, sou peixe e lama, das profundezas d´oceano, alço-me ao céu, alada ardo em chamas, retorno em cinzas, pedra pó...Por amizade retorno outra vez ao mar e, os devires levam-me além mar...

Aos desalinhos fundamentais da cortina das galáxias encontro amparo, quando uma ferrenha estupidez quer ocupar meu espaço particular. Vencer o fascistazinho que nos habita é crucial, quer determinar o indeterminável, nomear o inominável, organizar definitivamente o indefinível, múltiplo em ebulição. Agarrar e domesticar o vento, mais insano que a loucura quando em êxtase proclama verdades advindas de outras paixões.

Sou tantas e sei também és e, se leio e compreendo o Poema Zen- As palavras não fazem o homem compreender, é preciso fazer-se homem para entender as palavras – vôo além para estar aquém e reencontrar a poção humana que me coloca em harmonia entre demandas e orgias.

Sobre amizades creio na amizade à vida, sobretudo, esta que pulsa no corpo, que encontro sinuoso e despido, pois assim o vejo; inocente a balbuciar afetos em bolhas de saliva virgem.

Entre as loucuras escolho a que vocifera e, sabe guardar, ainda um caldo de silêncio comovido.
crônica publicda no Blog Discutindo Literatura
no recanto das letras e na AVBL - virgínia fulber é terapeuta e além mar Poeta del Mundo e membro da AVBL
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* nota Luiz A. Oliveira é Físico Cosmólogo ( CNPQ)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Vânia & Virgínia Amizade - reciprocidade do cuidado


Vâninha ficou linda a formatação, tens um dom especial , a excelencia de retribuir e multiplicar grãos e ainda continuar a cuidar !
Virginia Além Mar
para Vânia Moreira Diniz


Quem Agradece Sou Eu, querida Virgínia além Mar
Vânia Moreira Diniz

Se a vida fosse sempre assim, este jogo de balões coloridos e perfumados, realmente n. haveriam disputas e sim colaborações, aceitação, compreensão...Continuemos a crer e esperançar pela maturação e entendimento da necessidade de regar, cuidar , proteger , amparar sempre , pois que um amigo é capaz de nos fazer sentir imensamente maior do que somos. Percebe-nos apesar e além de nós mesmos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quem agradece sou eu, querida Virgínia Além Mar Por Vânia Moreira Diniz


Quem agradece sou eu, minha querida Virgínia! As lágrimas inundaram meus olhos, mas eu pude escrever através delas.

Esses 10 anos foram gloriosos porque aprendi mais do que no dobro desse tempo, principalmente sentindo e vendo o imenso acervo de conteúdo humano, literário e cultural, experimentando em cada poema ou prosa a profundidade de suas palavras que eu absorvia até nas pequenas frases ou versos com seu rico brilhantismo e metáforas preciosas.

Nossos poemas, admiração mútua e profunda falavam de nossas histórias e você naquele momento tinha a coragem superlativa que é capaz de vencer as dores maiores da humanidade.

Senti o mar entre nossas biografias unindo-nos numa mesma ternura compreensível e tinha certeza de sua vitória gloriosa em um momento difícil de sua vida.

Foi difícil, mas por isso mesmo eu tinha a intuição que assistiria ao triunfo que repercutia à medida que o tempo se aproximava e o mar parecia me dizer o quanto estaria além e ao mesmo tempo infinitamente perto, independente do olhar físico ou da proximidade.

Poderia custar, porém ele voltaria esplêndido, contando-lhe os segredos que sempre repercutiram em seu coração. Sem tormentas e com a beleza e sabedoria da natureza.

Desde o primeiro dia fomos irmãs-confidentes e ao mesmo tempo quando começou a enriquecer o site Vânia Diniz com suas produções e os extraordinários poemas e construções magníficas cada vez mais aprimoradas eu senti a cumplicidade do amor às letras que dividíamos com ternura exuberante.

Sentia um pouco de nostalgia pela proximidade do “Dia dos Pais”, mas com suas palavras você resgatou a alegria que estava no fundo do meu coração, esse sentimento que restaura as dores pela lembrança dos tempos curtidos com a presença de pessoas que compartilharam nossas vidas e ensinaram o sentido do “Viver”.

Obrigada minha amiga-irmã, Virgínia além Mar, alcunha que eu dei com ternura e que sempre será para mim seu verdadeiro nome pelo carinho, pela admiração sincera e profundíssima, recíproca e perene que enriquece nossas vidas e pelo significado que desenhou em uma fase de nossa história e que não poderá jamais se apagar.

Obrigada Virgínia Além Mar, querida Vica, a poetisa da Filosofia, do conhecimento da alma e da vitória.
O meu abraço carinhoso
Vânia Moreira Diniz

Telma da Costa -momentos

Passando pelo Blog da Artista Telma Costa*, que tive o prazer de conhecer recentemente, (uma dessas pessoas que realmente olhamos para o céu e agradecermos) encontrei um interessante momento do ano de 2004, sobre temporalidade...
Em que homem se tornou o garoto que eu amei? -Telma Costa

Inúmeras vezes senti esta curiosidade e até por que não dizer uma saudades do futuro... ?
O encontro de olhares continuaria o mesmo?

Lembrando que na Comunidade Café Filosófico "Das Quatro"
há um fórum -Bate papo com a atriz e poeta Telma da Costa

Sobre Telma Costa - TRIBUTE
Iniciou sua carreira artística em sua cidade natal, integrando, com suas irmãs, Sueli e Lisieux, o grupo vocal Trieto. Aos 15 anos de idade, foi convidada por Chico Buarque para dividir com o compositor a interpretação da música "Sem fantasia", em show realizado no Clube de Juiz de Fora. Em 1971, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua carreira profissional. Integrou, ao lado de Miucha, Olívia Hime e Elizabeth Jobim, o grupo vocal que participou de shows de Tom Jobim e Vinicius de Moraes ....

CADÊ VOCÊ, MEU PAI?
Telma Da Costa

cadê você, meu pai, que não posso te tocar?
cadê seu colo de pai, meu pai
que não posso me encostar e repousar?

cadê suas cartas de poeta suas cartas de pai
seu sorriso maroto seu carinho em meu queixo?

estou vivendo entre os escombros da falta que você faz

cadê sua fala macia me dizendo “filhinha”
ao ouvir minha voz do outro lado da linha?

cadê aquele olhar cansado e triste suas rugas tantas e fundas?
cadê você pra abraçar quando o seu aniversário chegar?

e os presentes que ainda eu te daria o que é que eu faço?

foi com você que aprendi a olhar para cima e ver as estrelas
você foi embora tão cedo e me deixou tão órfã, meu pai

tão órfã de pai de sua poesia
seu abraço seus conselhos
os meus olhos nunca mais secaram de chorar sua partida

domingo, 2 de agosto de 2009

Ante os verbos da noite

- Por conseguinte, na vida, é primeiro que tudo útil aperfeiçoar, na medida do possível, o entendimento, ou seja, a Razão, e só nisto consiste a suprema felicidade, ou seja, a suprema beatitude do homem. É que a beatitude não é outra coisa que o contentamento da alma (animi), que provém do conhecimento de Deus. Ora, aperfeiçoar o entendimento também não é outra coisa que conhecer a Deus, os atributos de Deus e as ações que resultam da necessidade da sua própria natureza. Por isso, o fim último do homem, que é conduzido pela Razão, isto é, o seu desejo supremo, por meio do qual procura regular todos os outros, é aquele que o leva a conceber-se adequadamente a si mesmo e a todas as coisas que podem cair sob o seu entendimento.- Spinoza ou Espinosa -Ética, Parte 4, Apêndice, Capítulo 4)

Ante os verbos da noite

virgínia além mar

Enfeita a cauda da noite uma brisa
muda, ainda, a lua estremece
ante o verbo morno que cresce ;
Seremos luar, nós e manhã seus filhos?

Ternura habita o breu dos universos...
Um cometa passou e nem um soneto se fez
Talvez, de passagem, cantaste estrela ausente...

Antecede-se aos sonhos desejo e antiga carícia
Perfaz o limite a guisa
E, o mordaz silêncio é cortado...

Novamente, ainda muda, a lua cresce
E outro verbo morno estremece;
Amaremos os filhos que a brisa nos tem ofertado?
fonte imagem internet imagem créditos -

domingo, 26 de julho de 2009

Assim escrevo...

Assim escrevo....
Eliana f.v. – Li Andorinha

Fujo da idealização
Sigo meus instintos
comandados pelas...
sensações

Aceito como certo
desvencilhar-me de ditames

Contemplando a natureza
e todo seu encanto
deixo-me levar
pelos acontecimentos

Esqueço o ranço teórico
Aprendo experimentando

Dou asas à imaginação
brinco com o arrepio de medo
que inventa assombração

Agora sou toda rebelião
salientando o significado
de cada instante

Se alegre eternizo-o
Se triste enfrento-o...

Para gozar...
No suspiro do alívio
25-07-2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Saudando os Escritores em seu Dia


<...O Dia do escritor me faz pensar nos grandes expoentes que foram nossos mestres, nos quais nos apoiamos e com quem aprendemos a avaliar em cada linha a qualidade de suas prosas ou poesias. E exaltá-los por todos os momentos em que estivemos em contato com eles, usufruindo a literatura, exaltando-a e transformando-a no elo que une todos os seres humanos num movimento de amor e compreensão. Vânia Moreira DinizJulho- 2009 >

...
Mais produtivo do que tentar definir Literatura talvez seja encontrar um caminho para decidir o que torna um texto, em sentido lato, literário. A definição de literatura está comumente associada à idéia de estética, ou melhor, da ocorrência de algum procedimento estético. Um texto é literário, portanto, quando consegue produzir um efeito estético e quando proporciona uma sensação de prazer e emoção no receptor. A própria natureza do caráter estético, contudo, reconduz à dificuldade de elaborar alguma definição verdadeiramente estável para o texto literário. Para simplificar, pode-se exemplificar através de uma comparação por oposição. Vamos opor o texto científico ao texto artístico: o texto científico emprega as palavras sem preocupação com a beleza, o efeito emocional.
No texto artístico,ao contrário, essa será a preocupação maior do artista.


É óbvio que também o escritor busca instruir, e perpassar ao leitor uma determinada idéia; mas, diferentemente do texto científico, o texto literário une essa instrução à necessidade estética que toda obra de arte exige. O texto científico emprega as palavras no seu sentido dicionarizado, denotativamente, enquanto o texto artístico busca empregar as palavras com liberdade, preferindo o seu sentido conotativo, figurado.

O texto literário é, portanto, aquele que pretende emocionar e que, para isso, emprega a língua com liberdade e beleza, utilizando-se, muitas vezes, do sentido metafórico das palavras.
A compreensão do fenômeno literário tende a ser marcada por alguns sentidos, alguns marcados de forma mais enfática na história da cultura ocidental, outros diluídos entre os diversos usos que o termo assume nos circuitos de cada sistema literário particular.
Assim encontramos uma concepção "clássica", surgida durante o Iluminismo (que podemos chamar de "definição moderna clássica", que organiza e estabelece as bases de periodização usadas na estruturação do cânone ocidental); uma definição "romântica" (na qual a presença de uma intenção estética do próprio autor torna-se decisiva para essa caracterização); e, finalmente, uma "concepção crítica" (na qual as definições estáveis tornam-se passíveis de confronto, e a partir da qual se buscam modelos teóricos capazes de localizar o fenômeno literário e, apenas nesse movimento, "defini-lo").

Deixar a cargo do leitor individual a definição implica uma boa dose de subjetivismo, (postura identificada com a matriz romântica do conceito de "Literatura"); a menos que se queira ir às raias do solipsismo, encontrar-se-á alguma necessidade para um diálogo quanto a esta questão. Isto pode, entretanto, levar ao extremo oposto, de considerar como literatura apenas aquilo que é entendido como tal por toda a sociedade ou por parte dela, tida como autorizada à definição. Esta posição não só sufocaria a renovação na arte literária, como também limitaria excessivamente o corpus já reconhecido.
De qualquer forma, destas três fontes (a "clássica", a "romântica" e a "crítica") surgem conceitos de literatura, cuja pluralidade não impede de prosseguir a classificações de gênero e exposição de autores e obras.-
A Wikipédia possui o Portal de Literatura-Mayara Bravim

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Elenir Burrone -cachorro não é gente

Adeus a Capitu ...O clichê diz que o cão é o maior amigo do homem. Amigo tem uma raiz linguística fascinante que identifica a palavra com o amor, outra palavra interessante, que tem uma parte de delícia, prazer e malícia e outra de dor. Um parente disse, incautamente, que “cachorro também é gente”. Acho que não soube formular exatamente o seu conceito: cachorro não é gente, tem as prerrogativas de gente porque se coloca ao nosso lado, mas tem algo mais, que só se revela quando olhamos para ele e enxergamos a busca de nós mesmos. Seus olhos, nesse momento revelam-nos o que somos: queridos ou abominados. Cachorro é espelho....
Nele podemos ver-nos com a nudez da verdade, se é que ela existe. O que via, nos olhos de Capitu, era comoção, era resignação de quem busca e sabe que nunca vai encontrar porque o mistério é o limite que nos foi imposto. Ontem tive que dizer adeus a Capitu. Ela se foi. E eu não me encontro em Camões e acho que nunca mais terei para onde olhar e ver-me tão bem refletida como em suas pupilas tão lindas de cor tão indefinível, tão indefinível como é o mistério da vida e da morte.- Elenir Burrone in -Adeus a Capitu

terça-feira, 21 de julho de 2009

Viver - Amauri Ferreira *

Viver
Amauri Ferreira *

Amadurecemos muito mais quando nos relacionamos com aqueles indivíduos que ativam os diferentes “eus” que estão em nós. Isso acontece nas relações que são desprovidas de julgamento, de censura, de vergonha, de cobrança – deixar-se viver, não levando o outro e nem a si mesmo a sério, é tudo o que importa. Não há dúvida de que o lúdico e a inocência dos nossos atos nos dão a confiança necessária para desejar que esses estranhos em nós sejam evocados. Como somos contagiados pela alegria que nasce nos encontros com alguém, certamente o nosso amor pela vida torna o amor que nasce no outro cada vez mais forte... Há um acúmulo recíproco de riquezas e, como conseqüência, podemos até afirmar que praticamente existe uma “disputa” de quem pode doar mais, de quem pode produzir mais. A qualidade da relação não poderia ser avaliada por tudo aquilo que nos desperta, que nos leva à ação e à nossa despersonalização?... Nessas experiências sentimos que somos ora mais jovens, ora mais velhos, e que também somos pais, filhos, homens, mulheres, animais. Protegemos e somos protegidos, ensinamos e aprendemos, esperamos e somos esperados. E, além disso, aprendemos a viver num ritmo em que o tempo cronológico deixa ser a referência do nosso percurso espiritual – assim conquistamos o tempo dos afetos... Isso tudo é exatamente o oposto das relações tristes, que reproduzem o ódio e o ciúme, que envolvem julgamento, censura, vergonha, medo e, em suma, constrangimento da nossa natureza. As relações tristes não cessam de reprimir os nossos “eus” ao reforçar a identidade, a função social, o papel familiar, o lugar no mundo - um mundo cada vez mais desprovido de emoções. Tristeza e falta são apenas conseqüências de uma vida que não aprendeu a rir, que leva demasiado a sério os "problemas-do-cotidiano-que-atormentam-o-seu-euzinho"... Mas quando beijamos os dedos de uma de nossas próprias mãos para, em seguida, encostá-los carinhosamente sobre o peito de alguém que amamos, muita coisa pode ser mudada... Viver é, sobretudo, tocar e ser tocado, e transformar-se, transformar-se, transformar-se...
Amauri Ferreira é Prof de Filosofia da Escola Nômade autor do Livro Introdução à filosofia de Spinoza- Editora Quebra Nozes- e Colaborador do Canal de Filosofia do espaço Ecos Portal VMD

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Doce Amizade

Vânia Moreira Diniz



Na esperança de meu olhar,
Na claridade que experimento,
Sinto a saudade a me congelar,
E viajo nesse estranho sentimento.

Visualizo então seu carinho protetor,
Amigos que amei tão instintivamente,
Sentindo na energia do espaço o sabor,
Da afeição natural,sincera e veemente.

Elo forte e persuasivo nos prendeu,
Na expressão das palavras a explodir,
E já nem sei de que forma se ergueu.

Outras horas de união hão de vir,
E sinto no peito doce emoção,
Amizade profunda, uma lição!

Vânia Moreira Diniz

Amigos,
Para o dia do Amigo uma Homenagem, reafirmando carinhosamente que a amizade verdadeira é um tesouro raro e precioso

sábado, 18 de julho de 2009

.O Céu Embaixo da Terra &..Contos da Infância Galáctica- Marcelo Gleiser

O Hubble não passa de um robô extremamente sofisticado, desenhado para colher imagens de alta precisão de objetos celestes próximos e muito distantes.
Assim como ele, existem muitos outros robôs observatórios colhendo dados em regiões do espectro eletromagnético além das que nos são visíveis. Um exemplo recente é o observatório espacial Glast, que estuda a radiação eletromagnética (RE) mais energética, os raios gama. De passagem, menciono que um dos operadores principais do Glast é o físico brasileiro Eduardo do Couto e Silva (tema da coluna de 15 de junho de 2008).
Mas existe outro tipo de astronomia que, paradoxalmente, para estudar o que existe nos céus, é realizada embaixo da Terra. Para entendermos como isso é possível, é bom lembrar que a luz, os raios X, os raios gama e as várias outras formas de RE são compostas de partículas chamadas fótons. Os telescópios que captam a luz, os raios gama ou outros tipos de RE são, na verdade, detectores de fótons, como se fossem redes de pesca desenhadas para apreender essas partículas. Só que os fótons não são as únicas partículas que existem nos céus. Pelo contrário, muitas outras “chovem” continuamente sobre nós. A maioria faz parte dos chamados raios cósmicos, compostos principalmente de prótons, elétrons e múons, que são elétrons mais pesados. Outras são os neutrinos, as “partículas-fantasma”, produzidas no coração do Sol. Neutrinos são capazes de atravessar a matéria normal como se fossem fantasmas.
Paredes ou mesmo a Terra inteira não são obstáculos para eles. Algumas partículas, como os elétrons e os múons, também penetram a matéria por boas distâncias. Portanto, para estudar os neutrinos sem a interferência de outras partículas, físicos usam cavidades subterrâneas, em geral minas abandonadas. Nelas, montam seus “telescópios”, detectores capazes de identificar as raras colisões de neutrinos com a matéria comum.Existem outras partículas cruzando o espaço ainda mais misteriosas do que os neutrinos. Delas sabemos apenas que não são como a matéria comum. Elas não produzem RE, como fazem os elétrons. Portanto, não brilham, sendo conhecidas como “matéria escura”. Sabemos que existem apenas porque sua massa afeta o comportamento das galáxias pela gravidade. Cada galáxia tem uma espécie de véu de matéria escura, com uma massa que chega a ser dez vezes maior do que a massa de todas as suas estrelas.
A matéria escura também é caçada em observatórios subterrâneos. Até agora, nenhuma candidata foi detectada, o que causa uma certa ansiedade nos físicos. Mas também aumenta o seu fascínio. Vivemos numa realidade dominada pelo que nos é invisível
. -O Céu Embaixo da Terra -Artigo originalmente publicado na Folha de São Paulo em março de 2008


Sabemos hoje a idade do Universo: em números arredondados, 14 bilhões de anos. Esse é o tempo passado desde o Big Bang, o evento que deu origem a tudo. Sabemos, também, que o Universo é salpicado de centenas de bilhões de galáxias, cada uma com milhões ou até centenas de bilhões de estrelas. Esse é o caso da nossa galáxia, a Via Láctea, onde o Sol é uma humilde estrela em meio a tantas outras.



Mas não se iluda pensando que essas estrelas todas estão pertinho umas das outras. Não, o espaço é praticamente vazio, e as distâncias entre as estrelas são em média de dezenas de anos-luz. Ou seja, viajando à velocidade da luz, demoraríamos dezenas de anos para ir de uma a outra.
Mesmo com tantas estrelas, a galáxia em si é tão enorme que as distâncias entre elas são…astronômicas. A Via Láctea tem um diâmetro de 100 mil anos-luz. Com tecnologia atual, demoraríamos em torno de 25 mil anos para atravessar um mero ano-luz. A galáxia inteira tomaria uns 2,5 bilhões de anos. Penso nisso e sinto uma grande solidão: estamos mesmo muito isolados do resto do cosmo, nós e os outros planetas do Sistema Solar, todos eles -ao menos hoje- sem vida.
A Terra é uma ilha de atividade biológica em meio à desolação total que nos cerca por muitos anos-luz. Mas o Sol não é a única estrela. E a Via Láctea não é a única galáxia. Hoje temos uma visão do cosmo que é semelhante à de um campo com árvores de Natal espalhadas na noite escura.
Cada árvore iluminada é uma galáxia, e as luzes, suas estrelas. Na escuridão da noite, vemos apenas as luzes das árvores piscando, parecendo flutuar pelo campo afora. Assim nos parecem as galáxias, formadas apenas de estrelas e gás. De perto, porém, a história é outra. Na árvore de Natal existe uma estrutura que sustenta as lâmpadas, a árvore e os seus galhos. Mas e nas galáxias? O que as sustenta? Em cada uma delas existe também uma estrutura, uma teia invisível de matéria que dá suporte às estrelas e ao gás que produz sua luz.
Só que essa teia invisível não é feita da mesma matéria que as estrelas e as nuvens de gás. Essa “matéria escura” – esse é o seu nome – não tem nada a ver com a matéria comum que conhecemos. Ninguém sabe que matéria é essa. Mas sabemos que cerca de 80% da massa das galáxias corresponde a essa matéria e não às estrelas. Exagerando um pouco a metáfora das árvores de Natal, nelas também a massa em matéria escura – o tronco e os galhos – é bem maior do que a massa total das pequenas lâmpadas.
Uma das questões de ponta em astrofísica, fora, claro, o que é essa matéria escura, é como nasceram as galáxias. Sabemos que a grande escultora das formas cósmicas é a força da gravidade. Dado que 80% da massa das galáxias é em matéria escura, é claro que sua dinâmica de formação também é dominada por esse tipo de matéria. Estudando as propriedades de galáxias quando o Universo tinha 7 bilhões de anos, metade de sua idade atual, astrônomos descobriram que as coisas eram semelhantes; os mesmos tipos de galáxias, com a mesma dinâmica: galáxias espirais cheias de estrelas nascendo e galáxias elípticas com estrelas velhas.
A matéria escura cria poços gravitacionais para onde flui a matéria normal, que forma as estrelas. Esse movimento causa ondas de choque violentas. Quanto mais matéria escura, mais violenta a onda de choque. Nos casos mais dramáticos, o choque pode interromper a formação de estrelas. Galáxias elípticas são as que têm a formação de estrelas interrompida mais cedo. Mesmo que ainda existam muitos pontos obscuros, a infância das galáxias começa a ser desvendada.
Marcelo Gleiser é professor de Física Teórico no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro “A Harmonia do Mundo”Este artigo foi originalmente publicado na Folha de São Paulo em 24 de agosto de 2008