Follow by Email

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Parabéns Discutindo Literatura por seus Quatro anos

Com uma inquietude e senso investigatório notável encontrei Luciana. Sua inteligência e sensibilidade agregou em sua Comunidade no Orkut;Discutindo Literatura criada em julho de 2005, mentes de extraordinária competência. Encontrei neste espaço abertura às discussões e sobretudo à escuta indispensável ao diálogo, como disse Paulo Freire nem sempre o diálogo implica em perguntar e responder... A Discutindo Literatura é um acontecimento que promove encontros. Diante de alguns Entrevistados na Comunidade, enquanto em silêncio lemos ( ouvimos ) a dialógica está acontecendo. Além das Estrevistas excelentes, a dinâmica da Comunidade abre-se como um leque de criatividade, instigando os participantes a compartilhar suas produções literárias, estejam publicadas ou não, estimulando e desafiando a todos a levarem mais a sério seus sonhos e projetos.Como nestes dias a Discutindo Literatura completa, com sucesso seus quatro anos de existência, resistindo através do esforço incansável de sua criadora , que além das acima mencionadas qualidades, agrega em sua personalidade uma leveza e luminosidade cativante, não menor que sua simplicidade e vontade de fazer amigos , quero registrar meus sinceros parabéns.Tão válidas iniciativas são raras nestes tempos de visibilidade individual.Sou imensamente agradecida por encontrar-me entre os participantes da Comunidade, que também promove amizades pois nesta cultiva-se um pouco ainda, do desinteresse e real vontade de acrescentar conhecimentos e divulgar sem reservas a cultura e, no fazer de laços afetivos que transcendem a si mesma, numa constante tentativa de avanço à espaços não só gregários. Assim sinto-me à vontade para saudar Luciana e agradecer –lhe por tudo quanto nos enriquece, assim como aos participantes que com ela tornam possível o andamento deste projeto merecedor de respeitável reconhecimento .

Enxurrada - Luciana Pessanha Pires



Enxurrada
Tivesse coragem mudaria o rumo, seria a mulher virtuosa de provérbios, cumpriria meus votos, não iria vistoriar a volta do pé de ninguém, nem iria rodar a baiana quando pisassem no meu calo, usaria mais eufemismos e a quem me pedisse a capa eu daria, mas eu não dou minha cara a tapa e sempre tenho algo a falar em qualquer reunião, é chato sempre ter algo a falar, mais chato ainda é nunca ter nada a ser dito.Gosto de boas intenções, tenho tantas boas intenções, se fosse planta e vingasse daria um jardim imenso, infelizmente muitos planos se perdem, meu curso de fotografia sempre adiado, um rosário de decisões para viver amanhã, tempo perdido com inutilidades.Pessoas fora do seu estado normal são divertidas, eu fico assim se me obrigam a engolir sapos, se convivo por muito tempo com gente cheia de pose, ou com gente com cara de enterro, pior ainda se for com gente paroleira que desaba-se em perguntas cretinas sobre o peso, a careca, o casamento que ainda não aconteceu, a gravidez um pouco demorada, o divórcio, a morte de algum familiar ou qualquer outra perguntinha cercada de veneno.Incrível como pessoas podem se especializar em inconveniências, a lista seria numerosa, não vale a pena desfiá-la, melhor puxar outros fios, novelos cheios de cores, como minha paixão por cachoeiras, margaridas e lírios do campo, histórias lidas de trás para frente, poemas, tardes contemplativas em algum café, chá de capim limão, rede, boas risadas com os amigos, um fio de conversa que dura uma noite inteira e não se acaba, uma taça de vinho, um sarau, um recadinho na secretária eletrônica, alguns luxos em forma de abraços, massagens, toques nos cabelos, um aproveitamento verdadeiro dessa vida, que se traduz em confiança.Se alguém confia em mim, pronto, sou um cão fiel. Falta de respeito eu não admito, chutar cachorro morto não faço, gosto de brigar com quem esteja em pé, mas tem quem bata e depois se agache, isso me dá uma raiva! Ainda bem que passa logo que não vou virar um saco de amargura, não eu que aprecio cores fortes, que dos embates da vida e da velhice não tenho medo, só quero mais que viver, quero existir, existir a contento.(Luciana Pessanha Pires)