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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Das Efemeridades – livre associação


virgínia além mar
Perdoem-me amigos, estou de partida, despeço-me da ausência escondida, uma pérola perdeu a cor, outrora comovida. Das areias quentes tenho saudade e só por isto movo-me em sofreguidão.
Haverá de se fazer uma estrela antiga renascer, por mais que se sinta que ela ainda vibra e, com sua luz embutida constrói-se sonhos nas noites de rede e folclórica ilusão. Creio que não renascerá mesma chama. Estamos em despedidas, dói um pouco saber que o que fomos se foi para sempre e que as sementes das chamas dormitam em lama. Hoje mais que antes sabemos da impermanência e do quanto a paisagem se transforma e, nosso rosto pede o sorriso do encanto que se foi.
Morremos a cada página escrita, a cada olá já em despedida .
Perdoem meus amigos assim como chego já parto. Também vos perdôo por viverem a efêmera sua, também vida. Que o encanto que ficou no retrato seja resguardado da dor que houve e não pode ser aliviada. Que o esplendor reine sobre desassossegos e nos abra aos momentos que ainda virão galopando miragens. Anseio ainda , dizer-vos que tal qual membrana híbrida fortaleço-me em cada despedida e, assim espero que façam e ousem adentrar a monotonia com tamanha fibra, para que sobre nós alguma sentença seja proferida; houve perseverança, lutaram e deixaram-se transformar !
ilustração Renè Magritte