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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Imersão Cósmica

Imersão Cósmica
Eliana f.v. – Li Andorinha

Numa amnésia voluntária
deixo ir toda rigidez estrutural
E tudo o que foi dito...
do jeito humano de ser

Sou fruto da poeira cósmica
com estilhaços da magia

Murmurando silêncios
em ondas magnéticas
de franca alegria

Absorvendo todo esplendor
que um sorriso pode ter

Meu olhar... É só delírio...
do luar que se esparrama
na palma da minha mão

Impregnada dessa luz
viro brincadeira de pirilampos
Espalhando estrelas no chão

domingo, 30 de agosto de 2009

Michèle Sato e alguns de seus fascínios

<<...Citando os fenomenólogos ateístas, como Sartre, MPonty ou Camus; Karen Armstrong é genial em afirmar que “um ateísmo apaixonado e engajado pode ser mais religioso que um ateísmo morno”. Durante os anos que neguei este Deus instituído, sempre percebi que onde havia esperanças, havia religião. Também percebi que a alma generosa sempre tinha uma fé em evidenciar um outro ser absoluto que eu habitualmente negava. Ora, se Heidegger estiver correto, quando afirmava que o outro é nada, contudo, só ele torna possível a nossa existência, talvez eu possa aproximar meu ateísmo apaixonado ao campo religioso. ...> Michèle Sato

O INSTITUÍDO E O INSTITUINTE DA ERA DE AQUÁRIOMichèle Sato

hoje recebi um scrap que perfaz o fascínio das águas suas cores sons-movimentos, entre o silencio das rochas no viver das ilhas possíveis e um pouco da arte de Magritte

trago também o Poema de Michèle

na geografia do atrito
américa - europa - áfrica
cabo verde provocao confronto da fricção
a calmaria da união
mar pedra
mão pedra
mulher pedra
pedras do brasil
brasil de pedras== saudades...[mimi]*..*..*



impressões de um País http://www.orkut.com.br/Main#Scrapbook.aspx

VICA
como vai, tudo bem, querida amiga?Segue mais um trechinho do meu diário para vc... Em Cabo Verde, 04ago09...Um dia quente que começava atrasado no mau humor da espera. Uma viagem longa que nos movia a comprar a comida e bebida ainda faltosas após o cuidado solidário da Aidil, doce e tão hospitaleira amiga cabo-verdiana... A paisagem mostrava exuberante de um lado, com um azul do mar tocando a beira da ilha, oferecendo dádivas em tom turquesa que arrebatavam corações brasileiros. Após cada curva, nova descoberta de pedacinhos do mar, fragmentos de rocha e detalhes singulares de belezas em movimento. Maré alta, maré baixa, água azul, água branca... Porém, do outro lado, a aridez das montanhas me dilacerava as entranhas, nas pedras sobre as pedras de um deserto montanhoso, sem uma sombra ou árvores grandes que justificassem o verde ecologista. Nunca estive num país com tantas rochas... pedras de todos os tamanhos, cores e talvez sabores. Se elas pudessem falar... Quanta memória haveria silenciada - Michèle Sato

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Homo artisticus-Marcelo Gleiser


Do pouco que conhecemos a respeito dos nossos ancestrais, identificamos neles bastante do que somos hoje. A diferença é que eles viviam em comunhão com o mundo - e não em guerra com ele.

Se a natureza cantava, os homens queriam cantar também

A Terra tem uma idade aproximada de 4,5 bilhões de anos.Nossa espécie, o Homo sapiens, apareceu em torno de 200 mil anos atrás, na África. Se concentrássemos 4,5 bilhões de anos em uma hora, nosso aparecimento teria ocorrido há menos de dois décimos de segundo. Somos a presença mais recente neste planeta e nos achamos donos dele. Algo para refletir.Evidências fósseis e genéticas indicam que grandes migrações da África em direção à Eurásia e à Oceania ocorriam já há 70 mil anos. A fala, parece que tínhamos há pelo menos 50 mil anos. Dos 200 mil anos que marcam a nossa presença na Terra, há apenas 10 mil nós nos organizamos em sociedades agrárias, capazes de se sustentarem com o plantio e colheita regular de espécies de vegetais domesticados.Certamente, quando essas sociedades começaram a se organizar, alguns animais também foram domesticados.Antes dessas sociedades agrárias, bandos de homens e mulheres corriam pelas savanas africanas e planícies eurasiáticas à procura de alimentos e abrigo. Os perigos eram muitos, de animais predadores e grupos inimigos a fenômenos naturais violentos, como misteriosos vulcões e terremotos. Para sobreviver, nunca se podia baixar a guarda.Desde cedo, ficou claro aos nossos antepassados que a natureza tinha seus próprios ritmos, alguns regulares e outros irregulares.
A linguagem nasceu tanto para facilitar a sobrevivência dos grupos quanto para imitar os sons ouvidos pelo mundo, de cachoeiras e trovões aos pássaros e os temidos tigres. Se a natureza cantava, os homens queriam cantar também.Recentemente, foram descobertos os instrumentos musicais mais antigos, flautas feitas de ossos de abutres e mamutes, datando entre 35 mil e 40 mil anos atrás. Os objetos foram encontrados em uma região na Alemanha, provando que não só humanos haviam já saído da África então, como também haviam desenvolvido habilidades musicais e artesanais. Se o vento assobiava ao passar por frestas e galhos, se gotas caiam ritmicamente das folhas, os homens procuravam imitar esses sons, criando os instrumentos capazes de fazê-lo.Apesar de não sabermos muito sobre os costumes dessa gente, é difícil evitar imagens, talvez um pouco românticas, do que ocorria então. A vida era difícil. Provavelmente poucos sobreviviam além dos 20 anos. Mas imagino que existisse uma abundância enorme de animais nos campos, mares e rios. Pinturas nas cavernas da Europa e da África, algumas datando de mais de 20 mil anos atrás, mostram uma enorme variedade de animais e também de cenas de caçadas e de rituais. Provavelmente grupos se reuniam nas cavernas para comer, dormir e celebrar uma boa caça. As pinturas podiam ser tanto ornamentos quanto desenhos ritualísticos que faziam parte de cerimônias religiosas.Certamente o som das flautas e dos tambores acompanhava os rituais, talvez até na tentativa de imitar os grunhidos dos animais e os sons do ambiente natural onde viviam.A música e a pintura não eram as únicas expressões artísticas dessas sociedades ancestrais. A escultura também. Figurinos conhecidos como Vênus do Paleolítico, datando de mais de 25 mil anos, mostram o corpo de mulheres bem dotadas de estrogênio, provavelmente símbolos de fertilidade. O impulso criativo parece ser tão antigo quanto a nossa espécie.Do pouco que conhecemos a respeito dos nossos ancestrais, identificamos neles bastante do que somos hoje. A diferença é que eles viviam em comunhão com o mundo -e não em guerra com ele.
Marcelo Gleiser, físico--Folha de SP, 23 de agosto 09

domingo, 23 de agosto de 2009

da passividade à criatividade passando por conceitos de D. Winnicott


Para ser criativo é preciso ter um cerne pessoal, ter um cerne secreto, um ponto sagrado e isolado onde cada um é a si mesmo do modo mais radical, de onde toda verdadeira criatividade emerge.
Winnicott nos fala da capacidade de estar só que expressa e constitui este espaço sagrado interno.

Quando o eu pode integrar o impulso do id aparece uma vida criativa e espontânea. Quando a criança pode estar só é que pode descobrir sua vida pessoal própria. Portanto, a criatividade decorre desta capacidade de ficar só e vivenciar o que é próprio. Quando não há esta capacidade o que temos é uma vida reativa a estímulos externos, o que Winnicott chama de uma vida com um falso self.
Quando a criança, e o adulto também, têm a capacidade de ficar sós, podem digamos assim relaxar. Nesta situação a criança pode experimentar de modo não persecutório a capacidade de estar não-integrada, de devanear, de estar em um estado de desorientação, de estar em um estado que não precisa reagir às contingências externas, nem mesmo precisa atender às demandas internas que a levem a uma dada direção. Neste estado de desorientação não-paranóide tudo está preparado para o aparecimento do impulso do id. O impulso será recebido então como algo próprio e pessoal. Por isso tudo é importante a presença de alguém, disponível e sem exigências. Quando chega o impulso, se há este
acompanhamento, então poderá haver um aproveitamento produtivo, criativo.
D. Winnicott criou conceitos de falso e verdadeiro self a partir do "desenvolvimento emocional primitivo", cujos efeitos, segundo ele, são de importância crucial para o indivíduo por se estenderem para além da infância. Muitos problemas da fase adulta estariam vinculados a disfunções ocorridas entre a criança e o "ambiente", representado geralmente pela mãe.

O Self verdadeiro seria "É aquilo que, embora indefinível, faz o indivíduo sentir que ele é único." A relação com a mãe leva o bebê a administrar a própria espontaneidade e as expectativas externas. "Se a mãe aceitar as manifestações do bebê - como a fome, o desconforto, o prazer e a vontade -, em vez de impor o que acredita ser o certo, o bebê vai acumulando experiências nas quais ele é sempre o sujeito, e o self que se forma pode então ser considerado verdadeiro"- Bogomoletz.

Já o self construído em torno da vontade alheia é o que Winnicott chama de falso e que priva o indivíduo de liberdade e de criatividade.

"O holding- conceito de Winnicott é o somatório de aconchego, percepção, proteção e alegria fornecidos pela mãe", (ainda pode ser traduzido como Colo -)

Promover um ambiente em que haja holding significa tratar cada pessoa (criança) como esta precisa . O termo “inclusão”, se levado a sério, indica uma atitude de holding. O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso - geralmente boazinha e obediente - a se tornar mais espontânea. “No entanto, é preciso que o ambiente aceite as temporadas de 'mau comportamento'. "Trata-se de adotar sempre uma postura tolerante e criar condições para que a criança desfrute de liberdade. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira - fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. "Brincar pressupõe segurança e criatividade" - Bogomoletz.
"Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas."
O viver não criativo se manifesta neste caso em pessoas firmemente ancoradas na realidade, mas doentes no sentido de que perderam o contato com o mundo subjetivo e com a aproximação criativa dos fatos.

A idéia de uma vida submissa é descrita em Winnicott com o auxílio do conceito de um eu com um falso self, com uma falsa personalidade (Winnicott,1983, p. 128-39). É uma idéia que tem origem em Freud, quando este destaca que o eu pode estar orientado para o exterior e relacionamentos com o mundo em detrimento do contato com a sexualidade.

Winnicott destaca uma sobreadaptação egóica. O eu está tão aterrorizado com as demandas do id que se afasta de todas as suas excitações; o eu se torna incapaz de incorporar as excitações, que são vividas de modo traumático. Neste sentido, o eu é incapaz de sustentar os riscos envolvidos e as frustrações necessárias no caminho de poder experimentar a satisfação do id.

O falso self pode se implantar com tanta intensidade que passa a ser confundido socialmente com a personalidade real. Em casos menos extremos o falso self defende o verdadeiro self que permanece operante em alguma parte da vida psíquica. O falso self pode ser associado a uma rigidez de defesas; não
raro, no caso de o indivíduo dispor de grande capacidade intelectual, o falso self se manifesta na vida intelectual. Há dissociação neste caso entre a vida intelectual e a experiência psicocorporal.

Donald Woods Winnicott nasceu em 1896 numa família rica de comerciantes em Plymouth, na Inglaterra. Ao entrar na faculdade de Medicina, foi convocado para servir como enfermeiro na Primeira Guerra Mundial, na qual fez as primeiras observações sobre o comportamento humano em situações traumáticas. Especializou-se em pediatria, trabalhando 40 anos no Hospital Infantil Paddington. Paralelamente, preparou-se para ser psicanalista. Trabalhou como consultor psiquiátrico do governo, tratando de crianças afastadas dos pais na Segunda Guerra Mundial. Em 1949, separou-se da primeira mulher, a artista plástica Alice Taylor. Dois anos depois, casou-se com Clare Britton, psicanalista e organizadora dos trabalhos do marido. Foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise e morreu em Londres, em 1971. O interesse de Winnicott pelo estudo da construção da identidade veio da percepção da influência sufocante da mãe depressiva em sua personalidade. Ainda criança, Winnicott enveredou pelos caminhos da observação científica ao ler os estudos do naturalista Charles Darwin (1809-1892). Já pediatra, conheceu a obra de Sigmund Freud (1856-1939), fez terapia e freqüentou o grupo de Bloomsbury - integrado, entre outros, pela escritora Virginia Woolf (1882-1941) -, em que a psicanálise era tema recorrente.

sábado, 22 de agosto de 2009

Sonho de criança

Sonho de criança

Cristina Arraes Moreira*

Quando criança sentia

Quão diferentes eram os caminhos,

Sem entender, observava

E uma tênue sombra me cobria.

Por que haveria de existir

Crianças sem o afeto materno,

Idosos cujas histórias negava,

A correria da vida diária?

E eu, em meus pensamentos,

Sonhava com a justiça divina,

Olhava para o céu e pedia

Por aqueles que nem mais pediam.

Cresci, mas meu coração,

Por vezes se esconde no canto,

Da inocência juvenil,

Que pode tudo curar.

As pedras do meu caminho

Machucam os pés e eu choro,

Mas sinto que outros no mundo

Sofrem bem mais do que eu.

Quisera então abraçar,

A todos poder consolar,

E num grito de emoção,

A paz poder ofertar.

espaços da autora -www.cristinaarraesmoreira.com.br e http://cristinaarraesmoreira.blogspot.com

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Passeando e aprendendo em Cabo verde com Michéle

além de comover-me com as histórias de viagem amiga Michèle ainda presenteia com sua artpoéticabelíssima

a simplicidade da vida -labuta pelo real contrasta com o envaziamento de valores das grandes metrópolis e a mim encanta particularmente, uma identidade que desejo preservar, reminiscências de uma cultura anterior ao consumismo avassalador. abraços agradecidos Mimosa mestramiga-



Um vinho da Ilha do Fogo [CHÃ das Caldeiras] me trazia Baudelaire na memória, entre a bebida dos amantes e a paixão daquela gente que construía um melhor país para eles. Inevitável pensamento bachelardiano me rondava a alma, fisicamente na presença dos 4 elementos, numa porção de terra embrulhada com água salgada, que ainda esnobava vulcões em plena era de mudança climática! Desfilaram vários assuntos, promessas e mais curiosidades sobre as tais ilhas, embalados pelos sonhos que não custaram a chegar pelo cansaço de uma longa viagem que cortava o Atlântico, entre seus dois continentes: africano e americano, representados por Cabo Verde e Brasil. - Michèl Sato in OLHAR ALÉM MAR

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Das Efemeridades – livre associação


virgínia além mar
Perdoem-me amigos, estou de partida, despeço-me da ausência escondida, uma pérola perdeu a cor, outrora comovida. Das areias quentes tenho saudade e só por isto movo-me em sofreguidão.
Haverá de se fazer uma estrela antiga renascer, por mais que se sinta que ela ainda vibra e, com sua luz embutida constrói-se sonhos nas noites de rede e folclórica ilusão. Creio que não renascerá mesma chama. Estamos em despedidas, dói um pouco saber que o que fomos se foi para sempre e que as sementes das chamas dormitam em lama. Hoje mais que antes sabemos da impermanência e do quanto a paisagem se transforma e, nosso rosto pede o sorriso do encanto que se foi.
Morremos a cada página escrita, a cada olá já em despedida .
Perdoem meus amigos assim como chego já parto. Também vos perdôo por viverem a efêmera sua, também vida. Que o encanto que ficou no retrato seja resguardado da dor que houve e não pode ser aliviada. Que o esplendor reine sobre desassossegos e nos abra aos momentos que ainda virão galopando miragens. Anseio ainda , dizer-vos que tal qual membrana híbrida fortaleço-me em cada despedida e, assim espero que façam e ousem adentrar a monotonia com tamanha fibra, para que sobre nós alguma sentença seja proferida; houve perseverança, lutaram e deixaram-se transformar !
ilustração Renè Magritte

sábado, 15 de agosto de 2009

Em Tempo de Lótus , Lírios & Acácias -AFONSO ESTEBANEZ STAEL

Jamais perder o momento - de encontrar na boca - um sorriso...
Jamais perder a esperança - de encontrar na curva - um caminho...
Jamais perder a certeza - de encontrar no muro - uma porta...

O lótus pode ser -o momento de glória -da lama...
O lírio pode ser - o encontro da paz - na esperança...

A acácia pode ser - a certeza da vida - na morte...
AFONSO ESTEBANEZ - Advogado, Poeta Del Mundo - RJ BR entrevista com o Poeta aqui

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Para a Mágica Poeta Virgínia além mar...

Mágica Poeta
Á Virgínia além mar...
Em seus escritos...
A lua cheia dança
com sua fiel estrela

Deixa de lado esquecido...
O que o juízo tem como certo
e o tic-tac da obrigação

Muda as regras do tempo
Veste a capa da magia
e com letras da ousadia
desenha o que nos faz feliz

Solta na emoção desnuda
o que ainda resta
de equilíbrio na rima...

Vibra com as palavras
tornando-as cometas
Fazendo arte sublime...
numa chuva de estrelas!

Com a grandeza da sua alma
brilhante são seus versos
Riscando a abóboda celeste
Unindo Céu... Mar... e Amar...
Em nossos sentimentos

Minha querida amiga Virgínia
Como é bela a sinfonia
Que seu poetar me traz!
*
com carinho agadecido da Amiga Eliana f.v. - Li Andorinha
(Imagem - Josephine Wall)

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Esperança...

Esperança....
Eliana f.v. – Li Andorinha

A esperança em mim
chega a ser teimosia
Tenho em meu DNA
o infinito dessa energia

Mesmo que tudo pareça
estar em desacordo...
Ela alinha meu horizonte
com as luzes das estrelas

Com ela sinto-me tão forte
como as árvores do agreste
Crescendo na coragem
da mãe Terra

Floresço continuamente
num acreditar persistente
que o verdadeiro milagre
sorri em liberdade...

No canto dos passarinhos!
Na felicidade das crianças!

domingo, 9 de agosto de 2009

o amigo me fortalece - socorro Lima Dantas

Socorro Lima Dantas

Amigo é um irmão companheiro,
que me aponta o caminho,
quando perdida eu estou.

Compreende a minha ausência,
quando distante me encontro
por qualquer razão.

Não exige explicação
pelas falhas cometidas
e pelas palavras não ditas.

Respeita o meu silêncio
fala-me a verdade,
fixando-me atentamente.

Olha-me com ternura,
mesmo o meu coração em ebulição,
pelo sofrimento ou pela dor.


Divide comigo as alegrias,
consola-me na tristeza,
e me aconselha na incerteza.


Agarra-me com firmeza,
e abraça-me forte,
quando necessito do seu calor.

sábado, 8 de agosto de 2009

Instantes, entre palavras e silêncios


* virgínia além mar
...Talvez como em nenhuma outra época, será necessário que invoquemos e exerçamos as potências do pensamento - a arte, a filosofia, a ciência - para que possamos, como queria o filósofo Friedrich Nietzsche, ser uma ponte entre o primata e o além-do-homem. –Luiz A. Oliveira

A verdadeira amizade é a energia que potencializa a vitalidade dos que persistem e realizam seus sonhos, como disse o filósofo Aristóteles - o homem feliz precisa de amigos- acrescento, precisa de amigos que estejam dispostos ao dialogo e se fazem presentes.

Quando em terra estou mar, quando em águas aprofundo-me, sou peixe e lama, das profundezas d´oceano, alço-me ao céu, alada ardo em chamas, retorno em cinzas, pedra pó...Por amizade retorno outra vez ao mar e, os devires levam-me além mar...

Aos desalinhos fundamentais da cortina das galáxias encontro amparo, quando uma ferrenha estupidez quer ocupar meu espaço particular. Vencer o fascistazinho que nos habita é crucial, quer determinar o indeterminável, nomear o inominável, organizar definitivamente o indefinível, múltiplo em ebulição. Agarrar e domesticar o vento, mais insano que a loucura quando em êxtase proclama verdades advindas de outras paixões.

Sou tantas e sei também és e, se leio e compreendo o Poema Zen- As palavras não fazem o homem compreender, é preciso fazer-se homem para entender as palavras – vôo além para estar aquém e reencontrar a poção humana que me coloca em harmonia entre demandas e orgias.

Sobre amizades creio na amizade à vida, sobretudo, esta que pulsa no corpo, que encontro sinuoso e despido, pois assim o vejo; inocente a balbuciar afetos em bolhas de saliva virgem.

Entre as loucuras escolho a que vocifera e, sabe guardar, ainda um caldo de silêncio comovido.
crônica publicda no Blog Discutindo Literatura
no recanto das letras e na AVBL - virgínia fulber é terapeuta e além mar Poeta del Mundo e membro da AVBL
* nota Luiz A. Oliveira é Físico Cosmólogo ( CNPQ)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Vânia & Virgínia Amizade - reciprocidade do cuidado


Vâninha ficou linda a formatação, tens um dom especial , a excelencia de retribuir e multiplicar grãos e ainda continuar a cuidar !
Virginia Além Mar
para Vânia Moreira Diniz


Quem Agradece Sou Eu, querida Virgínia além Mar
Vânia Moreira Diniz

Se a vida fosse sempre assim, este jogo de balões coloridos e perfumados, realmente n. haveriam disputas e sim colaborações, aceitação, compreensão...Continuemos a crer e esperançar pela maturação e entendimento da necessidade de regar, cuidar , proteger , amparar sempre , pois que um amigo é capaz de nos fazer sentir imensamente maior do que somos. Percebe-nos apesar e além de nós mesmos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Quem agradece sou eu, querida Virgínia Além Mar Por Vânia Moreira Diniz


Quem agradece sou eu, minha querida Virgínia! As lágrimas inundaram meus olhos, mas eu pude escrever através delas.

Esses 10 anos foram gloriosos porque aprendi mais do que no dobro desse tempo, principalmente sentindo e vendo o imenso acervo de conteúdo humano, literário e cultural, experimentando em cada poema ou prosa a profundidade de suas palavras que eu absorvia até nas pequenas frases ou versos com seu rico brilhantismo e metáforas preciosas.

Nossos poemas, admiração mútua e profunda falavam de nossas histórias e você naquele momento tinha a coragem superlativa que é capaz de vencer as dores maiores da humanidade.

Senti o mar entre nossas biografias unindo-nos numa mesma ternura compreensível e tinha certeza de sua vitória gloriosa em um momento difícil de sua vida.

Foi difícil, mas por isso mesmo eu tinha a intuição que assistiria ao triunfo que repercutia à medida que o tempo se aproximava e o mar parecia me dizer o quanto estaria além e ao mesmo tempo infinitamente perto, independente do olhar físico ou da proximidade.

Poderia custar, porém ele voltaria esplêndido, contando-lhe os segredos que sempre repercutiram em seu coração. Sem tormentas e com a beleza e sabedoria da natureza.

Desde o primeiro dia fomos irmãs-confidentes e ao mesmo tempo quando começou a enriquecer o site Vânia Diniz com suas produções e os extraordinários poemas e construções magníficas cada vez mais aprimoradas eu senti a cumplicidade do amor às letras que dividíamos com ternura exuberante.

Sentia um pouco de nostalgia pela proximidade do “Dia dos Pais”, mas com suas palavras você resgatou a alegria que estava no fundo do meu coração, esse sentimento que restaura as dores pela lembrança dos tempos curtidos com a presença de pessoas que compartilharam nossas vidas e ensinaram o sentido do “Viver”.

Obrigada minha amiga-irmã, Virgínia além Mar, alcunha que eu dei com ternura e que sempre será para mim seu verdadeiro nome pelo carinho, pela admiração sincera e profundíssima, recíproca e perene que enriquece nossas vidas e pelo significado que desenhou em uma fase de nossa história e que não poderá jamais se apagar.

Obrigada Virgínia Além Mar, querida Vica, a poetisa da Filosofia, do conhecimento da alma e da vitória.
O meu abraço carinhoso
Vânia Moreira Diniz

Telma da Costa -momentos

Passando pelo Blog da Artista Telma Costa*, que tive o prazer de conhecer recentemente, (uma dessas pessoas que realmente olhamos para o céu e agradecermos) encontrei um interessante momento do ano de 2004, sobre temporalidade...
Em que homem se tornou o garoto que eu amei? -Telma Costa

Inúmeras vezes senti esta curiosidade e até por que não dizer uma saudades do futuro... ?
O encontro de olhares continuaria o mesmo?

Lembrando que na Comunidade Café Filosófico "Das Quatro"
há um fórum -Bate papo com a atriz e poeta Telma da Costa

Sobre Telma Costa - TRIBUTE
Iniciou sua carreira artística em sua cidade natal, integrando, com suas irmãs, Sueli e Lisieux, o grupo vocal Trieto. Aos 15 anos de idade, foi convidada por Chico Buarque para dividir com o compositor a interpretação da música "Sem fantasia", em show realizado no Clube de Juiz de Fora. Em 1971, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou sua carreira profissional. Integrou, ao lado de Miucha, Olívia Hime e Elizabeth Jobim, o grupo vocal que participou de shows de Tom Jobim e Vinicius de Moraes ....

CADÊ VOCÊ, MEU PAI?
Telma Da Costa

cadê você, meu pai, que não posso te tocar?
cadê seu colo de pai, meu pai
que não posso me encostar e repousar?

cadê suas cartas de poeta suas cartas de pai
seu sorriso maroto seu carinho em meu queixo?

estou vivendo entre os escombros da falta que você faz

cadê sua fala macia me dizendo “filhinha”
ao ouvir minha voz do outro lado da linha?

cadê aquele olhar cansado e triste suas rugas tantas e fundas?
cadê você pra abraçar quando o seu aniversário chegar?

e os presentes que ainda eu te daria o que é que eu faço?

foi com você que aprendi a olhar para cima e ver as estrelas
você foi embora tão cedo e me deixou tão órfã, meu pai

tão órfã de pai de sua poesia
seu abraço seus conselhos
os meus olhos nunca mais secaram de chorar sua partida

domingo, 2 de agosto de 2009

Ante os verbos da noite

- Por conseguinte, na vida, é primeiro que tudo útil aperfeiçoar, na medida do possível, o entendimento, ou seja, a Razão, e só nisto consiste a suprema felicidade, ou seja, a suprema beatitude do homem. É que a beatitude não é outra coisa que o contentamento da alma (animi), que provém do conhecimento de Deus. Ora, aperfeiçoar o entendimento também não é outra coisa que conhecer a Deus, os atributos de Deus e as ações que resultam da necessidade da sua própria natureza. Por isso, o fim último do homem, que é conduzido pela Razão, isto é, o seu desejo supremo, por meio do qual procura regular todos os outros, é aquele que o leva a conceber-se adequadamente a si mesmo e a todas as coisas que podem cair sob o seu entendimento.- Spinoza ou Espinosa -Ética, Parte 4, Apêndice, Capítulo 4)

Ante os verbos da noite

virgínia além mar

Enfeita a cauda da noite uma brisa
muda, ainda, a lua estremece
ante o verbo morno que cresce ;
Seremos luar, nós e manhã seus filhos?

Ternura habita o breu dos universos...
Um cometa passou e nem um soneto se fez
Talvez, de passagem, cantaste estrela ausente...

Antecede-se aos sonhos desejo e antiga carícia
Perfaz o limite a guisa
E, o mordaz silêncio é cortado...

Novamente, ainda muda, a lua cresce
E outro verbo morno estremece;
Amaremos os filhos que a brisa nos tem ofertado?
fonte imagem internet imagem créditos -