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domingo, 8 de março de 2009

Simone, Sartre ...



Ninguém nasce mulher: Torna-se mulher -

A independência da mulher, através de seu próprio trabalho, é o que devemos pretender, disse, emendando que isso só não bastava, e que a emancipação feminina real dependia de mudanças sociais profundas. Falava com seriedade, mas com senso de humor. O interessante seria a esposa tirar férias. De casa, do marido, dos filhos.


O homem é livre porque não é si mesmo, mas presença a si. O ser que é o que é não poderia ser livre. A liberdade é precisamente o que nada que é tendo sido no âmago do homem e obriga a realidade humana a fazer-se em vez de ser.
JEAN-PAUL SARTRE, (1905 - 1980), filósofo francês, escritor e crítico, conhecido representante do existencialismo. Era um artista militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra.
Simone tinha 52 anos e havia publicado há mais de uma década O segundo sexo, sua obra mais importante, onde denuncia pela primeira vez as raízes históricas da exploração feminina. Ela e o marido, Jean-Paul Sartre, acabavam de passar por Cuba e queriam incendiar os brasileiros com as idéias revolucionárias de Fidel Castro. Ficaram quase dois meses no país e cumpriram um roteiro nada usual.

O sofrimento não é unicamente definido pela dor física nem mesmo pela dor mental, mas pela diminuição até a destruição da capacidade de agir, do poder fazer, sentidos como um golpe à integridade do si. - Paul Ricouer nasceu em Valence(França) em 1913. Foi decano da Faculdade de Letras e Ciências Humanas e também foi professor honorário de filosofia em Paris-Nanterre.
Diário da desigualdade
Trechos dos relatos da escritora -Simone de Beauvoir
sobre a viagem pelo Brasil
Machismo
A condição das mulheres brasileiras é difícil de definir: varia segundo as regiões. As grandes cidades industriais do Sul são mais liberais… No Nordeste uma moça, mesmo que viva numa favela, não tem nenhuma possibilidade de casar-se, se não é virgem. Injustiça No Brasil, quando um homem morre, só a primeira esposa é legatária: a companheira que compartilhou de sua vida, sem contrato oficial, nada herda.
Fome No Recife, há um mendigo sob cada palmeira, mas naquele ano chovera e os camponeses dos arredores tinham raízes para roer. Nos períodos de seca, eles se abatem sobre a cidade. São 20 milhões de homens que agonizam de fome crônica, em árido polígono de extensão da França.
Filosofia baiana Amado mostrou-nos as ruas comerciais da Cidade Alta. Na porta da Universidade, lia-se: Filosofia em greve.
Mercado moreno Os eflúvios do óleo de coco misturavam-se com o cheiro de salmoura; nos barcos ou em terra firme, ia e vinha uma multidão de homens e mulheres, cujas peles, do chocolate ao branco, passavam por todos os matizes do moreno.
Mãe-de-santo Aqui a religião serve aos pobres e não aos ricos... Advertida de nossa visita, a- mãe-de-santo apresentou-se em sua mais bela vestimenta: saias, anáguas, xales, colares e jóias. Era viva, tagarela e maliciosa. Consultou os búzios para saber de que espírito dependíamos: Sartre era Oxalá e eu, Oxum. Filhas-de-santo O automóvel nos levou, à noite, através dessas montanhas russas que são os subúrbios da Bahia, até as casas longínqüas, onde rufavam tambores... Uma jovem negra terminava o ciclo de sua iniciação. Cabeça raspada, vestida de branco, permaneceu deitada no chão durante toda a primeira parte da noite. Gemia, ligeiramente, o olhar fixado no invisível, presente e ao mesmo tempo longe, como meu pai em sua agonia. Por fim, entrou em transe, retirou-se e voltou transfigurada por uma alegria misteriosa.
Redenção Fiz a pergunta clássica
: “Como se explicam esses transes?”. Esses fatos nada têm de patológico, são de ordem cultural; encontram-se, análogos, em toda parte em que os indivíduos estão divididos entre duas civilizações. Constrangidos a se curvar ao mundo ocidental, os negros da Bahia, outrora escravos, hoje explorados, sofrem uma opressão que vai até a desapossá-los de si mesmos. Como defesa, não lhes basta preservar seus costumes, suas tradições, suas crenças. Então, cultivam as técnicas que os ajudam a se arrancar, pelo êxtase, da personalidade falsa em que os aprisionaram. Exatamente no momento em que parecem perder-se é que se reencontram: possuídos sim, mas por sua própria verdade. ....)
O segundo sexo, espécie de Bíblia do feminismo, publicado em 1949.
“A independência da mulher, através de seu próprio trabalho, é o que devemos pretender”, disse, emendando que isso só não bastava, e que a emancipação feminina real dependia de mudanças sociais profundas. Falava com seriedade, mas com senso de humor. “O interessante seria a esposa tirar férias. De casa, do marido, dos filhos.”
A platéia aplaudiu de pé a conferência que, no dia seguinte, mereceu críticas veladas dos jornais.
Ao fim de sua temporada brasileira, Simone foi vítima do mesmo preconceito cultural sobre o qual escrevia. “O Brasil não estava preparado para ela”,
analisa Luís Antonio Contatori. Correio Brasiliense - Sábado 08.03.2008
Ana Beatriz Magno e Érica MontenegroDa equipe do Correio

Um comentário:

  1. que bom suspirar existências femininas por aqui...

    um super dia das mulheres
    no existencialismo sartreano

    merci!
    bises
    *

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